Thursday, June 16, 2011

Mídia e o ensino de quadrinhos


Montagem infanto-juvenil reconstrói heróis nos palcos, a partir do dia 29




A pesquisa de movimento é lúdica e enérgica, capaz de aliar linguagens artísticas distintas. A narrativa é dinâmica e precisa e, com ela, o espectador embarca num universo imaginativo e criativo. No palco, os heróis Salina, Amperina, Okan, Flamejante, Crono e Nectarina se apresentam na estreia do espetáculo infanto-juvenil Dança em Quadrinhos, que acontece no próximo dia 29, quinta-feira, às 15h, no Teatro Vila Velha, onde permanece até domingo, 2 de maio. Em seguida, segue para o Centro Cultural Plataforma, a partir do dia 7, de sexta a domingo, também às 15h, até o dia 16 de maio. Os ingressos custam R$10 e R$5 reais.

A montagem apresenta seis personagens inéditas, inspiradas nos mitos africanos e nas ações cotidianas. Para o diretor artístico Leandro de Oliveira, a proposta é tornar os heróis mais próximos do público baiano, a partir das matrizes culturais locais. 'Percebemos que a maioria dos super-heróis é inspirada na mitologia grega. Pensamos em fazer heróis mais próximos da nossa realidade e em como nos inspirar nessas diversidades da cultura para criá-los', explica ele, que é o idealizador do projeto, em parceria com o quadrinista baiano Daniel César. 

Além do espetáculo coreográfico, o projeto artístico contará, também, com a exposição Sketchbook, que será apresentada ao público no foyer dos teatros. A mostra traz imagens assinadas por Daniel César, que retratam o processo de construção e elaboração dos super-heróis. 

Para o quadrinista, a ilustração é tão significativa quanto as movimentações coreográficas em cena. 'Ela representa 50% do trabalho. É mais uma etapa do processo, que também exige estudo e elaboração', esclarece. As linguagens da dança e do desenho em quadrinhos, juntas, são utilizadas para reafirmar a identidade local. Na opinião dos idealizadores, o trabalho possui referências da cultura baiana que contribuem com a formação da criança e do adolescente. 

Jovens de escolas públicas e projetos sociais terão acesso gratuito ao espetáculo por meio do plano de formação de platéia, que contempla 30% da lotação dos dois teatros nos quais as apresentações de Dança em Quadrinhos acontecem. O universo lúdico continua, após as sessões do espetáculo, com as Oficinas de Pintura. Nelas, os espectadores mirins podem escolher seus personagens preferidos e colori-los. 




Heróis capazes de transformar

Em cena, as personagens dos quadrinhos ganham vida e mostram ao público infanto-juvenil que é possível modificar o mundo. 'Queremos mostrar para as crianças a possibilidade que elas têm para transformar as coisas, como fazem os heróis. A gente quer levantar essa identificação, essa possibilidade de eles serem heróis também, capazes de modificar o cotidiano', completa o diretor.

Enquanto Salina tem o poder de controlar o oceano, Flamejante tem o poder do fogo e Amperina consegue controlar os raios. Okan, o caçador da turma, também mostra os seus superpoderes, assim como Crono, que tem nas mãos a capacidade de controlar o tempo, e Nectarina, capaz de confundir e persuadir os seus adversários. 'A intenção não é personificar as figuras mitológicas. O herói é sempre distante, é algo além e superior ao ser humano. Queremos aproximá-los do público em relação aos costumes, comportamento e identidade, muito mais do que a relação da figura em si', conclui o diretor. 

A interpretação dos heróis fica por conta dos artistas Deise Gabriele, Deko Alves, Jorge Cipriano, Lucas Valentim, Lucimar Cerqueira e Mariana Gottschalk. O cenário e o figurino são assinados por Agamenon Abreu. A trilha sonora, inédita, é composta pelos músicos Ronei Jorge e Camilo Fróes.


http://ibahia.globo.com/revistacultu...?codigo=226851

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