Wednesday, May 25, 2011

Salão Unama premia jovens talentos


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Surf, filosofia e arte. Ao projetar imagens de sol e água fresca, a artista plástica Danielle Fonseca foi a grande premiada do 17º Salão de Pequenos Formatos da Unama. O vídeo-instalação “A Dobra Somos Nós” traz 40 segundos de um rapaz bronzeado se equilibrando em um tubo d’água. Ao lado da tela, uma caixa de acrílico com um pedaço de parafina. Som de mar, o desafio do equilíbrio e da força da natureza, a transposição de um ambiente selvagem para uma galeria.

“Parti da leitura de um texto do filósofo Daniel Lins, ‘Deleuze: o surfista da imanência’, que trata do surf como filosofia”, explica a artista, que pratica bodyboard há mais de 20 anos. Estudante de Letras, ela participa pela terceira vez da mostra - em 2006 levou o Prêmio Aquisição.

A pesquisa para o projeto começou há mais de um ano, a partir de uma bolsa do Instituto de Artes do Pará (IAP) e que resultou numa compilação de vídeos de surf. Redimensionado para o pequeno formato de alguns segundos, o vídeo foi eleito o grande projeto de 2011 do Salão Unama.

“Cada vez eu fico mais admirada com a qualidade das obras participantes. Esses jovens são muito inventivos, criativos, e há uma vertente de pesquisa. Então são trabalhos profundos. O trabalho da Danielle tem um fundo de pesquisa em Deleuze muito consistente”, diz Elza Lima, integrante da comissão de premiação da mostra.

A mistura inusitada de linguagens também permeou o trabalho de Thiago Ramon, vencedor do prêmio “Graça Landeira” com o conjunto de obras “HQ1”, HQ2” e “HQ3”. A obra, desenvolvida por dois anos, aproxima dois tempos: a xilogravura, uma técnica milenar de impressão em papel; e os traços modernos das histórias em quadrinhos.

“A xilografia me chamou a atenção, e comecei a explorar a técnica. Mas ao invés de explorar só o resultado da matriz em madeira, que é a impressão, eu fiz o contrário, e expus a matriz. E como eu gosto de HQ, resolvi misturar a antiga técnica da xilogravura com HQ”, explica o ilustrador de 25 anos formado em Artes pela UFPA.

Nos prêmios aquisitivos, os artistas contemplados foram Reynaldo Candia, de São Paulo, que venceu com a foto colagem “Teu Amigo Que Te Quer”; o pintor Erinaldo Cirino, de Belém, com a “Interseção III”; e Cláudia Hersz, do Rio de Janeiro, com o objeto de porcelana e rejunte “Bronken China”.

“A cada ano o prêmio tem se tornado mais convidativo para o público de outros Estados. O Pequenos Formato é bem interessante porque tratar a obra de uma forma fisicamente pequena requer mais atenção, mais inventividade e acabamento. O artista tem que ser mais certeiro, mais delicado. Requer mais acuidade na elaboração do trabalho”, diz Elza Lima.

Um dos jurados do salão, Armando Queiroz, do Sistema Integrado de Museus, disse que a discussão sobre o ganhador foi muito rica até que se chegasse ao nome de Danielle Fonseca. “Confesso que foi muito difícil. O salão mostrou uma qualidade muito grande e uma vasta lista de artistas. É sempre bom ter trabalhos que façam refletir, pensar e sentir”, afirmou.

O 17º Salão Unama Pequenos Formatos reúne 72 obras de 43 artistas brasileiros. A mostra segue aberta ao público até 27 de junho, com entrada franca. (Diário do Pará)

Visite

Salão Unama Pequenos Formatos, em exposição até 27 de junho, na Galeria de Arte “Graça Landeira”, campus Alcindo Cacela da Unama. Entrada franca.

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