Monday, May 16, 2011

Quadrinistas brasileiros marcam com seu traço no mercado americano


Conheça os desenhistas que fazem super-heróis à gaúcha

Além de quatro artistas do Estado, outros brasileiros marcam com seu traço gibis no mercado americano

Mesmo sem sair do Brasil, quatro desenhistas do Rio Grande do Sul vêm fazendo sucesso no concorrido mercado americano de gibis.

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A boa receptividade de Mesmo Delivery, cuja primeira edição nos Estados Unidos o autor bancou do próprio bolso em 2008, valeu a Rafael Grampá um convite para uma edição da revista Strange Tales, com visões autorais sobre personagens famosos da editora. Grampá apresentou um desconcertante Wolverine lutador de um sangrento MMA (artes marciais mistas) em que vale tudo mesmo: até arrancar o coração do oponente.

A história foi ainda mais elogiada do que a anterior. Timothy Callahan, do site Comic Book Resources, referência na área, qualificou o conto de oito páginas como "a história quintessencial de Wolverine", que "eleva os parâmetros mais acima do que qualquer um pode alcançar".

Mateus Santolouco é parceiro de projetos com outros dois gaúchos que estão abrindo caminho no mercado gringo: Edu Medeiros, que também publicou um conto pessoal do Homem Aranha na série Strange Tales, eRafael Albuquerque – este último, desenhista deVampiro Americano, série indicada ao Eisner deste ano, o prêmio mais importante da indústria de quadrinhos. E todos têm ambições bem maiores do que apenas roteirizar as mesmas histórias de super-heróis.

– Acho que hoje em dia os artistas têm mais essa preocupação autoral – diz Medeiros.

Os quatro gaúchos não são os únicos brasileiros a surfarem na onda favorável para os quadrinhos nacionais nos Estados Unidos – parte do crédito pode ser atribuída aos gêmeos paulistas Fábio Moon e Gabriel Bá, ganhadores do Eisner Awards em 2009 com uma antologia de histórias de vários autores que contava também com Rafael Grampá. Os artistas são unânimes em apontar que hoje o mercado é bastante diverso daquele desbravado pelos pioneiros dos anos 1990, como Mike Deodato, Luke Ross e Ivan Reis.

– Se souber o inglês, você faz contatos diretamente e não precisa mais de agente, como nos anos 1990, em que todo mundo era representado por um cara que ficava com parte do seu dinheiro e lia os projetos por você – resume Rafael Grampá.

A mudança de cenário é visível até mesmo no que há de precioso para um artista: a assinatura. Quadrinistas dos anos 1990 mudaram seus nomes para similares mais próximos do inglês, como Deodato Taumaturgo Jr., que virou Mike Deodato, ou Luciano Queiroz, apelidado de Luke Ross na gringolândia. A nova geração assina com seu próprio nome.

– Não sei dizer de onde vinha a orientação, se dos caras de lá ou dos agentes daqui, mas o fato é que mudou – diz Mateus Santolouco.

CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Fonte:http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Segundo%20Caderno&newsID=a3311533.xml

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