Monday, May 23, 2011

Quadrinhos nacionais versus quadrinhos internacionais


Quadrinhos nacionais versus quadrinhos internacionais: questão de mercado ou de qualidade?

No início deste mês, o assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, fez uma série de declarações sobre a produção e consumo da programação de TV a cabo que, no mínimo, levantou e atiçou o debate da TV aberta versus a TV fechada, principalmente o consumo de produtos estrangeiros.

Segundo Garcia, “eles (produtores estrangeiros) realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam todo esse esterco cultural (…) A emergência desse lixo cultural nos deixou numa situação grave”. O jornal A Folha de São Paulo publicou uma matéria, no dia 18 de fevereiro, repercutindo essas declarações no meio televiso, principalmente entre produtores. Mas essa fala me tocou na produção de quadrinhos: será que também estaríamos sendo bombardeados com este tipo de produção?

Primeiramente é preciso lembrar que o mercado americano (um dos mais importantes produtores e exportadores de quadrinhos) é diferente do brasileiro, já que lá as revistas são vendidas por encomenda e aqui a venda ainda é consignada: a banca/livraria recebe tantas unidades, vende as que conseguir e devolve o restante para a distribuidora. Tudo bem!

Com essa característica destacada, faço a pergunta: quantas revistas em quadrinhos brasileiras, com exceção da Turma da Mônica, você encontra em uma banca de jornais?

Creio eu que a resposta deva ser nenhuma. Agora, conte quantas revistas estrangeiras de quadrinhos você encontra nessa mesma banca: somente os títulos não vão caber nos dedos da mão.

A realidade hoje é bem clara: o grande mercado de quadrinhos brasileiros é dominado pela produção estrangeira. Mas isso seria um problema? Assim como no caso da produção da TV a cabo, ninguém é obrigado a comprar e ler uma revista das terras do Tio Sam. Isso vai do gosto de cada um, mas determinar que uma produção é “esterco” é dureza. Gosto não se discute. Por que não dizem o mesmo do funk? É preciso admitir, como já tratei em outros posts por aqui, que realmente existem histórias de super heróis, que na minha opinião, não deveriam nunca ser publicadas. Mas aí, quando leio na sessão de cartas, está um leitor que adora aquela história que não gosto. É preciso ter um senso crítico bem afiado e uma boa dose de vergonha, para admitir que em determinados pontos a produção internacional é muito superior a produção brasileira, mesmo porque eles tiveram mais tempo e espaço (culturalmente falando) para crescerem.

E isso nos leva a questionar sobre a produção de quadrinhos genuinamente brasileiros. A Turma da Mônica é um exemplo de que existe um público para consumir a produção aqui realizada, mas além dos personagens de Maurício, onde está o restante? Infelizmente, só são encontrados em livrarias e bancas especializadas. Não tenho um conhecimento muito aprofundado sobre a produção brasileira, já que onde moro, é difícil ter acesso a estes quadrinhos, então o que consigo, no mínimo, é me manter informado através da internet (o que não é a mesma coisa). Porém, em eventos como o Festival Internacional de Quadrinhos, é possível ver a força da produção independente e também adquirir esses quadrinhos que vivem à margem do grande mercado. Não por falta de qualidade, mas por falta de espaço.

Mesmo quem começou com fanzines, como os irmãos Bá e Moon, com a série 10 Pãezinhos, não tem suas revistas expostas em bancas, o que poderia atrair um público novo e aumentar o mercado como um todo. Outros, como Mário Cau (Pieces), Laudo (Depois da Meia Noite), André Diniz e José Aguiar (Ato 5), Albuquerque, Medeiros e Santalouco (como a quadrilogia Powertrio) e uma infinidade de nomes que não caberiam citar aqui, precisam se virar (geralmente com o próprio bolso) se quiserem produzir.

E digo produção de revistas, não de graphic novel, porque este filão o mercado descobriu e ao que parece, está de portas abertas. A produção que falta ser incentivada é a produção de revistas, com preços mais baratos e com mais disponibilidade nas bancas. Não desfaço e nem acho a produção estrangeira um “esterco”. Muito pelo contrário: Lobo Solitário, Homem Aranha, Justiceiro (Ennis), Hellblazer, Planetary, Sociedade da Justiça, X-men, Quarteto Fantástico, Demolidor (Brubaker), são algumas das histórias que merecem ser lidas e agradeço que estejam sendo publicadas aqui.

Acredito que falta apenas a boa vontade das editoras darem a oportunidade para que esses ditos “independentes” mostrem sua força, porque temos uma grande vantagem em relação ao quadrinho internacional: já tivemos tempo mais do que suficiente para aprendermos com eles os erros e acertos para fazemos essa produção funcionar.

Invasão dos Mortos já está em pré-venda no site da Gal Editora e da Comix

Eles estão voltando… Eles querem nosso mundo… E apenas um homem pode nos salvar!

Invasão dos Mortos, de Phil Hester, John McCrea e Will Volley, é uma história de terror, em um álbum elogiado pela crítica especializada e comparado aos trabalhos de Alan Moore e Warren Ellis

Quando seus medos parecem inacreditáveis, você precisa de um herói que não acredita em nada! Conheça Antoine Sharpe, membro de uma agência secreta do governo norte-americano com a missão de investigar possíveis ameaças sobrenaturais.

Sharpe é o maior dos céticos, um homem que não crê na existência de Deus ou do Diabo e nunca encontrou nada que o fizesse mudar de idéia… até defrontar-se com um perigo capaz de ameaçar todo o planeta: os mortos estão voltando ao nosso mundo, fugindo das profundezas do inferno, invadindo corpos alheios e dando origem a uma onda destrutiva de sexo, violência e terror.

A graphic novel custa R$ 29,90 e a edição brasileira recebeu até um “trailler”, que pode ser conferido no site da Comix

100 Balas está de volta pela Panini

Um homem de sobretudo e óculos escuros chega até você. Ele diz que sabe por que sua vida foi por água abaixo. Tem o nome do culpado, que você não sabia, e as provas. Mais uma arma, 100 balas e a garantia de que nem a polícia nem ninguém vão saber se você empreender sua vingança. E aí? O que você faria?

A série de Brian Azzarello e Eduardo Risso sobre crime, moral e vendetas é uma das mais celebradas dos quadrinhos na última década, destacando o lado obscuro e criminoso dos EUA – por trás do qual há uma conspiração mais antiga que o próprio país. E, mesmo que não saiba, você já faz parte dela.

A aclamadíssima hq de intrigas e traições volta ao cenário brasileiro, desta vez pelas mãos da editora Panini, que assume de vez a linha Vertigo da DC Comics, voltada para um público adulto. A série será publicada em encadernados e dará sequencia ao que foi produzido pela Pixel. Mais informações no blog da editora

Blog usa quadrinhos para falar de quadrinhos

De autoria de Audacir Júnior, o blog HQ EM HQ, lançado no dia 10 de fevereiro, irá resenhar sobre lançamentos de hq`s através de quadrinhos. A primeira obra é Copacabana, de Odyr e Lobo. Quem quiser conhecer mais, basta acessar http://hqemhq.blogspot.com

Quadrinhos na TV

O programa Diverso, exibido nesta terça-feira (23) à noite (22h30) pela Rede Minas, investiga a história dos quadrinhos no país e mostra seus principais personagens e quadrinistas. Considerada como 9ª arte, a atração fala de desenhos famosos, como a Mônica, de Maurício de Souza, o Pererê, de Ziraldo, e mais as irreverentes Radical Chic, de Miguel Paiva e Rebordosa, de Angeli.

O Diverso traz também bate-papo com quadrinistas, que falam sobre suas próprias histórias, de suas inspirações, referências e também do futuro do quadrinho brasileiro, na nova era da internet e das novas tecnologias. Com certeza, vale a pena conferir!

Los Angeles Times cria prêmio para Graphic Novels

O site Universo HQ divulgou uma notícia que mostra o quanto o respeito pelas hq`s está crescendo. Um dos maiores jornais impressos americanos, o Los Angeles Times, criou a categoria graphic novel para premiar as publicações de quadrinhos no tradicional Book Prizes, referente ao ano de 2009.

Atualmente, o Los Angeles Times premia obras em dez categorias: biografia, assuntos atuais, ficção, graphic novel, história, mistério e thriller, poesia, ciência e tecnologia, literatura para jovens, e o prêmio Art Seidenbaum Award para a primeira obra de ficção.
As graphic novels que foram indicadas ao prêmio são: Luba, Gilbert Hernandez; GoGo Monster, de Taiyo Matsumoto; Asterios Polyp, de David Mazzucchelli; Scott Pilgrim vs. the Universe, de Bryan Lee O'Malley; e Footnotes in Gaza, de Joe Sacco. O título vencedor do 30° LA Times Book Prizes será divulgado em 23 de abril. Infelizmente, nenhum desses álbuns foram publicados no Brasil...



Fonte:

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/colunas-artigos-e-blogs/blogs/hoje-em-quadrinhos-1.60827?month=1&year=2010

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