Quadrinhos viram livro escolar em 2007

O governo federal divulgou nesta segunda-feira as histórias em quadrinhos incluídas no Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). Fazem parte da lista: "Toda Mafalda", com tiras da personagem criada pelo argentino Quino (ao lado, a capa da primeira edição); o premiado "Santô e os pais da aviação", de Spacca, que faz a biografia de Santos Dummont; "Dom Quixote em quadrinhos", de Caco Galhardo; "Na prisão", um mangá feito por Kazuichi Hanawa.

As obras serão distribuídas no ano que vem a 46.700 escolas públicas de ensino fundamental. São 7,5 milhões de exemplares, que devem atender 14 milhões de alunos. Segundo nota divulgada no site do MEC (Ministério da Educação e do Desporto), o governo defende que o elemento visual é um atrativo a mais para incentivar a leitura nos alunos.

O Blog dos Quadrinhos noticiou o assunto no dia 12 de setembro. Na ocasião, não havia confirmação sobre os quadrinhos incluídos no PNBE. O governo anunciara apenas os nomes das editoras.

O governo federal apenas segue a orientação dos Parâmetros Curriculares Nacionais, elaborados no fim dos anos 90, ainda sob administração de Fernando Henrique Cardoso. Os Parâmetros –popularmente conhecidos como PCNs- têm como eixo central a necessidade da leitura de textos de diversos gêneros. Assim, orientavam os professores dos ensinos fundamental e médio a utilizar em sala de aula piadas, editorias, reportagens. As histórias em quadrinhos também foram incluídas.

A presença dos quadrinhos nos Parâmetros Curriculares foi o principal motivo do aumento dos estudos sobre o tema nas universidades de Letras. Até então, eram raras abordagens lingüísticas sobre o assunto. Foi nesse contexto que surgiu o livro interdisciplinar "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", organizado por Ângela Rama e Waldomiro Vergueiro e do qual sou um dos autores. A obra, lançada pela Contexto em 2004, está na terceira edição.

Colocar quadrinhos na escola é algo que chega com atraso. No começo da década de 90, o vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) já pedia aos futuros universitários a interpretação do humor em tiras cômicas. A questão é repetida até hoje. O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) também usou o recurso em todas as provas, exceção feita à deste ano. A maioria dos livros didáticos de língua portuguesa já usa a linguagem há vários anos.