Thursday, May 26, 2011

Exposição em Madri tenta provar que humor gráfico pode mudar o mundo


[image: O cartunista francês Jean Plantureux, conhecido pelo nome
artístico de Plantu, em seu escritório, na França (13/2/2009)]

O cartunista francês Jean Plantureux, conhecido pelo nome artístico de
Plantu, em seu escritório, na França (13/2/2009)

Respeito, compreensão e entendimento mútuo são os três pilares de
"Desenhando pela Paz", uma exposição itinerante promovida pelo cartunista
francês Jean Plantureux, conhecido pelo nome artístico de Plantu, e que abre
suas portas nesta terça-feira na Galeria do Instituto Francês de Madri.

"Quero crer que é possível mudar o mundo, mas nesta mesma manhã tive um
momento de fraqueza e pensei que tudo isto não serve para nada. Às vezes
penso que meu trabalho é útil, e em outras nem tanto", disse Plantu em
entrevista à Agência Efe.

O autor, que desde 1972 publica uma charge diária no "Le Monde", é um dos
líderes da "Cartooning for Peace", associação criada em 2008 na sede da ONU
para reconhecer o trabalho jornalístico dos desenhistas da imprensa.

"Temos uma responsabilidade social. Nosso trabalho é nos indignar e contar
os motivos dessa indignação. Quando sentimos uma frustração, nosso dever é
transformá-la em imagem e denunciá-la. Não se trata de falar sem pensar, mas
de enriquecer o leitor e alimentar o debate", explicou Plantu.

"Tento atravessar opiniões, algo que vai contra a tendência geral à
formatação. É cada vez mais frequente que a opinião da maioria achate o
ponto de vista da minoria", acrescentou o responsável por "Desenhando pela
Paz", mostra que reúne ilustrações de autores como Manel Fontdevila, Kap e
Elena Ospina.

Plantu acredita que a liberdade de expressão, um dos bens mais valiosos ao
ser humano, passa por momentos difíceis. "Os desenhistas chineses,
iranianos... sabem melhor que ninguém o que significa viver em uma ditadura,
onde se você publica determinados desenhos pode ir à prisão", disse.

"Nas democracias, como Espanha e França, a situação é muito mais sutil e
hipócrita, porque não existe um censor, mas a opinião se unifica através da
audiência e do marketing. Vivemos em democracias adormecidas, nas quais não
podemos pensar por nós mesmos", lamentou.

Morando em Madri há vários anos, a ilustradora colombiana Elena Ospina
concorda com a visão de Plantu. "A liberdade sempre esteve ameaçada, e
existe uma permanente autocensura em todos os meios de comunicação. A
correção política e a liberdade de expressão são uma combinação difícil",
afirmou.

A situação não parece tão ruim para Manel Fontdevila, cartunista do jornal
"Público" e da revista "El jueves", ambos espanhóis. "Existe liberdade, mas
não a usamos tanto como deveríamos. O povo se acostuma a não incomodar, e
por ser moderado acaba tendo um discurso falso beato. Digamos o que é
preciso ser dito, sejamos duros!", declarou.

O igualmente reivindicativo Jaume Capdevila, também conhecido como Kap,
humorista gráfico do jornal "La Vanguardia de Barcelona", compartilha desta
opinião.

"A imagem, o desenho e a sátira podem conseguir que o mundo seja um lugar
mais positivo. As imagens não têm fronteiras, chegam a todo o mundo",
disse. "Nosso trabalho é transmitir ideias, e por isso em certos países o
desenho é considerado algo perigoso", finalizou.

Fonte:

http://groups.google.com/group/quadrinistas01/browse_thread/thread/7b1c7879216fea37?hl=pt#



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