Wednesday, May 25, 2011

Baianos são beneficiados em incentivo à cultura digital


Em cinco anos, o governo federal pretende aumentar de 5% para 10% o peso das atividades culturais. Um dos segmentos que deverão receber incentivos é o da geração de conteúdos digitais para a televisão, especialmente a animação. “Temos tudo para ser um dos maiores pólos exportadores de desenhos animados do mundo”, acredita o ministro da Cultura, Juca Ferreira. O MinC estimula a parceria de produtores com canais de TV por assinatura.

Na Bahia, o Irdeb – Instituto de Radiodifusão da Bahia – está afinado com a proposta de incentivo aos realizadores de desenho animado e desenvolve o edital Apoio à Produção de Projeto Completo para Série de Animação e Interprograma de TV, pelo Fundo de Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia. Com recursos de R$50 mil para cada projeto selecionado, até o fim de dezembro serão projetadas cinco séries baianas:

Tio Mussarela (Cláudio Guido), Ninguém – O Herói do Povo (Augusto Matos), Tadinha (Maria Luiza Barros), A Bruxinha Lili (Hugo Dourado) e A Mata Animada (José Vieira) são os projetos vencedores do edital.

Planejamento de "Ninguém"

INICIATIVAS NACIONAIS

“Animação é arte coletiva. É importante que o mercado de animação esteja sendo fomentado, neste momento em que a televisão fechada demonstra estar aberta às produções do gênero”, considera o animador Ducca Rios, citando iniciativas de autores nacionais que estão na grade do Discovery Kids, como Peixonautas, Meu Amigãozão e Princezinhas do Mar.

“A série feita para televisão possibilita o licenciamento de produtos, além de ser muito importante para formação de público simpático ao conteúdo nacional”, considera a produtora Maria Luiza Barros, que vai desenvolver os projetos Tadinha e A Bruxinha Lili, selecionados pelo edital do Fundo de Cultura.

Mas, mesmo considerando ser algo relativamente recente, especificamente no mercado de séries ainda não há um baiano da gema atuando com vigor. Por outro lado, um dos pioneiros do gênero animação no Brasil, o artista plástico baiano Chico Liberato está desenvolvendo o longa-metragem Ritos de Passagem, com recursos de R$1,2 milhão do Fundo de Cultura, Secult.

MERCADO INTERNACIONAL

Cartunista desde 1989, Augusto Matos enxerga a oportunidade dos editais do governo e de demais órgãos apoiadores das iniciativas relacionadas à produção de filmes de animação no Estado da Bahia, como pioneiras em termos de política cultural. “Está ocorrendo uma mudança no mundo das artes, a modernização das linguagens e a emergência de preservarmos o que temos de mais precioso, incluindo aí o nosso patrimônio tangível e intangível”, raciocina.
José Vieira diz que sempre foi cartunista e “é claro que do cartoom pode-se passar facilmente para a área de animação. Mas penso que não se deve deixar de pensar no regional, mas atingir o mercado internacional”. Ele cita o filme A viagem de Chihiro, impregnado pela cultura japonesa e pelo xintoísmo, como um exemplo de que o autor de animação não deve deixar de tratar de valores e questões de sua terra.

COMERCIALIZAÇÃO

Cláudio Guido conta que pretende experimentar o mercado profissional da animação. “A gente fica meio ansioso, o que é natural de artista, por querer sentar e produzir logo as animações. Mas é preciso criar uma cultura de trabalhar as coisas na ordem correta, de desenvolver primeiro roteiros e argumentos bem realizados, revisados, adequados à faixa etária”, contabiliza, já pensando em utilizar o fruto deste trabalho para fazer contatos com produtores. “Imagino que com este planejamento feito, será mais fácil vender o projeto e realizar a série”, avalia Guido.
Diretor do Irdeb, Pola Ribeiro endossa a importância de se estruturar a animação baiana, para dar bases para a estruturação individual. “É uma atividade que exercita a paciência, reflexão crítica sobre cada plano que vai fazer, cada conhecimento que vai ser aplicado”, exemplifica.

BÍBLIA

Cada um dos projetos selecionados recebe o valor de até R$50 mil, totalizando R$250 mil, para fase de elaboração de personagens, projeto executivo, sinopses, roteiros e a produção de um interprograma de TV com 1 minuto e meio de duração, que será exibido na TV Educativa e servirá também para demonstrar como será a personalidade de cada uma das séries desenvolvidas, algo fundamental para conseguir parceiros e co-produtores para o desenvolvimento da série completa.

As propostas selecionadas recebem apoio para elaboração de projetos inéditos e originais de séries de animação (conhecidos como “bíblias”), compostos por treze episódios de treze minutos de duração cada, além da produção de um interprograma de televisão com um minuto e trinta segundos de duração, sobre a série proposta.
O diretor do Irdeb, Pola Ribeiro, fala do interesse governamental para que a cadeia produtiva do audiovisual seja pensada no sentido de produção e distribuição, pois “existe uma demanda pela animação independente”. Na última semana de agosto ele participou do Seminário Curta & Mercado, realizado em São Paulo, atento às oportunidades para o crescimento do segmento, no estado da Bahia.

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