Tuesday, September 21, 2010

Pontos-Chave no Roteiro de Histórias em Quadrinhos

Pontos-Chave no Roteiro

1. Começo:

A idéia: pode surgir dos lugares mais inesperados, portanto, anote tudo, leia de tudo.
Futuramente, uma idéia pode fundir-se a outra e acabar rendendo uma idéia melhor.
Alan Moore fala que a melhor forma de se começar uma história é pelo tema, que pode
vir do nada ou de próprias experiências pessoais, ou de outros autores. O processo pode
começar por outra coisa que não seja a idéia, como, por exemplo, uma seqüência. Mas
em algum momento do processo, a idéia há de surgir.

Gênero: ao escolher o gênero, pense em quão bem você poderá escrever sobre ele. Se
decidir escrever histórias de humor, as piadas deverão parecer naturais. Se decidir escrever sobre horror, pense primeiro no que horroriza você. Além disso, não perca seu tempo procurando um denominador comum de “público-padrão” para a receptividade da sua história. Isso está mais ligado ao fato da própria humanidade em si, coisas que o ser humano compartilha com todas as pessoas do mundo inteiro, sejam políticos, trabalhadores ou prostitutas. Identifique esses mecanismos e conseguirá base para uma arte proveitosa.

Argumento: antigamente, era considerado uma forma de roteiro, quando Stan Lee
precisava escrever sobre todos os heróis da Marvel. Era feito um breve resumo da
história e o desenhista se virava. Hoje em dia, o argumento é uma prévia do roteiro, que
pode ser feito pelo próprio roteirista, ou não. Use-o para colocar todas as suas idéias da
história, para depois se preocupar em desenvolve-la. Lembre-se de definir os conflitos,
que é o que tornarão a história interessante. No argumento deve constar uma sinopse
completa da história, com começo, meio e fim.

Personagens: defina o perfil de cada personagem que participará da história. Gian
Danton sugere que se observe pessoas no ônibus ou na rua, ou se pesquise linguagem
corporal. O mais importante é saber porquê aquele personagem é assim, o que ele
representa, etc. Entre na mente de suas personagens, entenda porque eles são assim,
porque agem assim, qual a história deles, o que os motiva, etc. Alguns livros sobre
roteiro de cinema, como os de Syd Field, podem ajudar você a pesquisar os arquétipos padrão dos heróis das histórias, mas não se prenda a “regras” pré-estabelecidas. Muitas
vezes isso só atrapalha do que ajuda.

Ambientação: descreva o lugar onde se passa a história e por quê. Se for num lugar
conhecido, faça uma pesquisa antes de começar a história. Caso crie um lugar, é preciso imaginar todos os aspectos dessa sociedade: governo, comércio, costumes, etc.

Conteúdo ou enredo: o conteúdo da história é o que acontece nela. São os fatos da história que você pôs no argumento e que mais tarde irá desenvolver. Lembre-se de que sua história deverá ter um tema. Isso irá gerar uma situação. Se você adicionar tempo na situação, terá um enredo, que geralmente é divido em três partes: apresentação, desenvolvimento do conflito e resolução. Pense nesses aspectos antes de começar a escrever o roteiro.


Narrativa: é a maneira como a trama se desenrola, se é linear, através de flashbacks
(seja do protagonistas ou de outras personagens, ou ambos – flashbacks embaralhados),
de trás pra frente, através da narrativa de vários personagens (quebra-cabeça), etc.
Defina também se haverá tramas paralelas e de que forma elas serão contadas, como é que se entrelaçarão com a trama principal e como serão resolvidas.

Forma: A forma é a maneira como ela é contada, que podem ser das mais diversas: só
desenhos, só diálogos. Por exemplo, o texto pode falar de uma coisa, mas o desenho
está mostrando outra. Podem ser de três tipos: primeira pessoa, terceira pessoa, ou texto
diálogo, raramente usado, quando o narrador parece conversar com a personagem. Já os
diálogos, podem ser realistas, literários ou até, monólogos.

2. Desenvolvimento:

Splash Page: recurso para página inicial da história, chamada assim porque chama a
atenção do leitor, devido a uma cena de impacto ou ação desenfreada. Comumente
usada nos anos 60, até meados dos 80.

Descrição dos quadros: plano geral, plano médio, close, plano detalhe, ângulo superior/
inferior, visão subjetiva, quadro de impacto, etc. Importante: quando estiver
descrevendo, procurar fazer isso na ordem em que as coisas aparecem, não
necessariamente em ordem cronológica.

Texto: se for colocar narrativas nas caixas de texto (os chamados “recordatórios”),
lembre-se de que é desnecessário repetir a descrição do que está acontecendo no
quadro, pois isso, o leitor já está vendo. Use o texto para aprofundar a dramaticidade,
use lirismo, se necessário, para fugir dos clichês comuns ao se descrever lugares ou
acontecimentos. Pense no que você quer passar com aquela descrição. Beleza? Nojo?
Horror? Use as palavras certas.

Transição: o movimento de uma cena para a outra deve ser feito de tal forma que não
tire a atenção do leitor.

Compasso: tempo que o leitor gasta em cada quadro. Em cenas silenciosas, você pode
aumentar a quantidade de detalhes no quadro se quer que o leitor perca mais tempo ali.
Ou, colocar mais diálogos, o que já não funciona muito bem se for uma cena de ação.
Uma técnica comumente usada é quebrar o compasso da história, interrompendo uma
cena e pulando para metade de outra. O intervalo entre as duas fica subentendido.

Suspense: sempre é interessante para a história ter algum suspense, como mostrar uma
seqüência importante começando a acontecer e, antes que ela se concretize, mostre
outra seqüência e fique enrolando até voltar à seqüência anterior. Não se trata de
“encher lingüiça”, mas sim, de prolongar um pouco os acontecimentos.

Ganchos no meio da história: podem acabar rendendo outra história mais à frente, ou
uma seqüência importante dentro da própria história. Acontecimentos aparentemente
sem importância são mostrados, para somente mais tarde ser percebida a relevância. O
mais importante é nunca esquecer de amarrar as pontas soltas.

3. Fim:

Gancho: você pode optar por terminar a história com um gancho, para possível continuação.

Deus ex machina / Final-surpresa: final-supresa nem sempre é sinônimo de boa história.
Vide “O apanhador dos sonhos”, por exemplo. Mas o final-supresa pode funcionar,
quando é conseqüência da trama. A trama vai evoluindo no decorrer e, quando chega no
final, “bam”, te pega de surpresa. Contudo, jamais, jamais, recorra a um deus ex
machina, isto é, trazer um elemento que não estava na história até aquele momento para
resolver a situação.

Elipse: a história volta ao ponto onde começou.

4. Considerações Finais:

Há uma máxima aplicável a todos os iniciantes, sejam eles roteiristas ou desenhistas: “a
prática leva à perfeição”. Se você é desenhista, tem que ter um momento do seu dia que
seja dedicado a desenhar. Não importa quanto tempo e nem o que queira desenhar, mas
desenhe todo dia. Da mesma forma, se você é roteirista, leia o máximo que puder e
procure escrever de tudo: contos, fan fictions, roteiros para tiras, roteiros para histórias
curtas, roteiros para álbuns. Lembre-se, contudo, que quanto menor uma história, mais
fácil será de você encontrar alguém que tope desenhá-la.
Seja minucioso no seu roteiro. Descreva página a página, quadro a quadro, o que
acontece em cada cena, o ângulo, os detalhes, etc. Quanto mais “mastigado” você der
pro desenhista, melhor, a menos que você já conheça o cara e ele queira liberdade
criativa. Ainda assim, é sempre bom você lhe dar sugestões, para que ele não perca
tanto tempo criando a cena e vá direto ao que interessa.
Outra coisa importante é estudar a gramática. Tanto para que você saiba se expressar de
forma correta ao desenhista, nas descrições da cena, quanto na construção dos diálogos.
Um dicionário de idéias afins pode ajudá-lo nesta parte também, mostrando-lhe
palavras alternativas na construção de uma expressão, de forma a não ter que repetir
sempre a mesma palavra.
Por fim, é sempre importante que você dê vários tratamentos no seu roteiro. Depois que
você terminar de escrevê-lo, volte pensando no que você poderia melhorar...seqüências, diálogos, etc. Corrija os erros de português que ele possivelmente terá e o deixe de “molho” por algum tempo. Mais tarde, com a mente descansada, volte para dar outra revisão geral. Faça isso quantas vezes julgar necessário. Só então passe para uma segunda pessoa revisar, sobretudo procurando erros de ortografia ou gramática. Só então seu roteiro estará na versão final.
A seguir, segue um exemplo de roteiro. É a primeira história de “Undeadman”, que
vocês já puderam conferir na primeira edição da Quadrinhópole.



UNDEADMAN – HISTÓRIA 01

PÁG. 01
Q01: Quadro amplo ocupa quase toda a página. Visão clássica de histórias
medievais: um campo imenso, uma estrada que leva a um castelo, árvores,
etc. Pássaros talvez sejam interessantes, mas o céu está nublado, talvez
em crepúsculo. O castelo está ao fundo, na parte esquerda do quadro, mas
não muito distante, no final da estrada. Jason está no canto direito,
abaixo de uma árvore, mais próximo de nós. Se quiser colocá-lo em cima de
um cavalo, ótimo, mas se não quiser se desgastar muito, não precisa. Ele
está de costas para nós, talvez meio de lado... e desembainhando a sua
espada.
Jason é um cavaleiro forte, mas está bem magro, como se estivesse com
inanição. Está pálido e seus cabelos são negros e longos, a barba por
fazer. Uma boa referência para ele seria o Aragorn do Senhor dos Anéis.
RECORDATÓRIO: “Lá.”
RECORDATÓRIO: “Aquele é o lugar.”
Abaixo, o título: “Undeadman – A Saga de um Imortal: Apocalipse ao
Crepúsculo.”
E os créditos: “Leonardo Melo – Roteiro | André Caliman – Arte”

Q02: Metade do quadro anterior, ocupa a parte inferior da página. Close
no rosto de Jason, percebemos que ele está irado, embora cansado. Parece
ter acabado de sair de uma batalha. A lâmina da espada pode ser vista e
está suja de sangue.
RECORDATÓRIO: “Tudo... tão confuso em minha mente. Sinto como se acabasse
de despertar... e... um sonho. Eu tive um sonho.”
RECORDATÓRIO: “Sonhei que encontrava-me preso em uma masmorra... por
tempo demais. Sonhei que estava sendo eternamente torturado e não podia
morrer. Pior que estar no Inferno sendo castigado por demônios vomitados
da boca de Satã.”
PÁG. 02
Q01: Jason está em frente à porta do castelo, de costas para nós. Se ele
apareceu na página anterior sentado em um cavalo, o animal agora está ao
lado dele, mas quase não aparece no quadro.
RECORDATÓRIO: “Sonhei que havia acordado desse pesadelo e matado alguns
homens... mas não consigo me recordar a razão.”
RECORDATÓRIO: “Não importa. Eu sei porque vim. Neste castelo, reside meu
inimigo... e aqui hei de encontrar as respostas.”
Q02: Ele já entrou no castelo. Visão de cima. Está sendo cercado por
vários homens. Quatro, talvez cinco ou seis.
RECORDATÓRIO: “E, talvez... algo mais.”
Q03: Close em Jason. Ele tenta dialogar:
JASON: Não é meu intento ferí-los. Deixem-me falar com o feiticeiro.
Q04: Um dos guerreiros responde, sarcástico. Seus companheiros riem.
GUERREIRO: Deixamos, sim... depois de arrancarmos umas partes suas!
Q05: Novamente, close em Jason, mas seu semblante está mudado. Ele parece
conformado com a batalha eminente, sabendo que não há outro meio de agir.
RECORDATÓRIO: “Não era isto que eu tencionava. Estou farto de batalhas.
Tanto que não sei se ainda possuo o vigor necessário para vencê-los.
Esperava apenas passar por eles e falar com seu mestre maldito.”
Q06: Quadro amplo, ocupa a parte inferior da página. Visão geral da
batalha que inicia-se.
RECORDATÓRIO: “Todavia, se não há outro meio de passar por estes
mercenários...
RECORDATÓRIO: “...que seja.”
PÁG. 03:
Q01: Cena de batalha
Q02: Cena de batalha
Q03: Ele é atingido pelo guerreiro sarcástico. É importante que saibamos
que a espada está atravessando o coração de Jason.
JASON: Arrrrrghhh!!!
RECORDATÓRIO: “Não!!! Não posso ser detido agora! Não posso!!!
Q04: O Guerreiro está sorrindo, triunfante, enquanto Jason agoniza no
chão.
GUERREIRO: Era óbvio que não poderia no derrotar, cavaleiro. Pena que
estava tão cansado, não?
GUERREIRO: Onde esteve antes de vir aqui?
Q05: Jason arrancou a espada e está levantando-se, muito embora esteja
jorrando sangue de seu ferimento. O vemos de frente.
RECORDATÓRIO: “Oh, Pai... Cristo santificado... não foi sonho... era
verdade!!!”
Q06: Close no guerreiro, surpreso.
GUERREIRO: Por mil moedas de ouro... não pode ser!!! Eu atingi teu
coração, como podes te levantar???
Q07: Jason frente a frente com o guerreiro, de espada em punho. O
guerreiro encontra-se desarmado, já que sua espada, cravada no coração de
Jason, agora está no chão.
RECORDATÓRIO: “Foi tudo verdade... o feiticeiro amaldiçoou-me... e eu...”
Q08: Pegando o guerreiro de surpresa, Jason desfere o último golpe,
gritando:
JASON: Eu não posso morrer!!!
PÁG. 04:
Q01: Quadro amplo nos corredores do castelo. Jason está andando, ainda de
espada em punho, completamente irado. Atrás dele, podemos ver alguns
corpos dos guerreiros que ele acabara de enfrentar. Nas paredes, alguns
quadros – vamos discutir isso.
JASON: Onde estás tu, FEITICEIRO???
Q02: Quadro estreito na parte esquerda da página. Jason está subindo as
escadas. Pode usar um ângulo meio torto, se quiser. Acho que fica legal.
Procurar mostrar os detalhes nas escadas, ficaria interessante e
enriqueceria o cenário.
Q03: Ele está andando por outro corredor. Vemos armaduras rentes à
parede, talvez um lustre pendendo do teto.
JASON: O que fizeste COMIGO????
Q04: É todo o resto da página. Não é um quadro propriamente dito, pois a
cena vai desenhada na própria página e os outros quadros ficarão em cima
dela. Enfim, pensei em colocar Jason no canto esquerdo, bem próximo de
nós – sempre de espada em punho. Ele está quase no final de um corredor,
onde pode ser vista uma porta. Talvez não o vejamos por completo, talvez
só a sua mão e a espada, talvez só o braço. A porta está no outro canto
da página, onde encontra-se o vulto do feiticeiro.
FEITICEIRO: Jason? Jason de Ely? Isso é uma surpresa... como conseguiste
escapar?
PÁG. 05:
Q01: Os dois estão se enfrentando, frente a frente. Os vemos de perfil,
um pouco de lado, e Jason está dando um golpe de espada que é aparado
pelo feiticeiro com seu cajado. O vilão é um homem de cabelos longos e
castanhos, barba volumosa, vestindo roupas bastantes finas que são
cobertas por uma túnica azul, sem capuz, lembrando um sobretudo. Seu
cajado tem um globo de cristal na ponta, envolvido por três ramificações
de madeira que partem do cabo.
JASON: Responda!!! Que fizeste comigo???
FEITICEIRO: Não se recorda? Oh, é claro...
Q02: O feiticeiro em close.
FEITICEIRO: Eu deveria imaginar que tantos anos de clausura afetariam tua
mente. Curioso... muito curioso!!!
Q03: Jason o ataca, mas o feiticeiro se esquiva.
JASON: Maldito seja, mago servidor do demônio!
FEITICEIRO: “Servidor do demônio”, Jason? Hah, hah, hah, hah, hah!!! Tu
não fazes idéia!!!
Q04: Quadro amplo no centro da página, mostrando o confronto entre eles.
Podem ser desenhadas várias “sombras” deles movimentando-se no decorrer
do tempo.
JASON: O que quer que tenhas feito para tornar-me um imortal, liberteme!!!
JASON: LIBERTE-ME AGORA, EU EXIJO!!!
Q05: O feiticeiro consegue empurrar Jason contra a parede, apontando em
sua direção e usando de telecinésia. Com a outra mão, ele aponta para
outra parede e uma espada começa a se movimentar.
FEITICEIRO: Libertá-lo, Jason?
Q06: Quadro sobreposto entre os quadro 5 e 7, mostrando a espada cortando
o ar. Ela está sendo controlada telecineticamente pelo feiticeiro, na
direção de Jason.
Q07: Visão de perfil. Jason é empalado pela espada, ficando preso na
parede.
FEITICEIRO: NUNCA!!!
JASON: Arrrrghhh!!!
Pág. 06:
Q01: Jason está preso na parede, o sangue escorre de sua boca. O
feiticeiro assiste à cena com triunfo, a base do cajado no chão e as duas
mãos apoiadas no globo.
FEITICEIRO: Não, eu acho que tu irá sofreres ainda mais se eu te deixar
vivo. Pessoas queridas morrendo sem que tu possas fazer algo para
impedir... a dor que inimigos irão infligir-te em incontáveis batalhas,
sendo que tu nunca poderás encontrar o alívio da morte...
FEITICEIRO: Oh, sim... essa realmente aparenta ser uma excelente idéia...
Q02: O feiticeiro desaparecendo, com um sorriso no rosto.
FEITICEIRO: Adeus, Jason de Ely... nos veremos em 100 anos...
JASON: Não... feiticeiro... não ouses...
Q03: Quadro amplo no centro da página. Visão de perfil do rosto de Jason,
que está gritando, desesperado:
JASON: FEITICEIROOOOOO!!!!
Q04: Nos três últimos quadros, a cena é a mesma: Apenas o vulto de Jason
no canto esquerdo do quadro, ainda empalado pela espada. A única
diferença é que sua cabeça vai pendendo para baixo cada vez mais.
RECORDATÓRIO: “Eu o perdi. Vim em busca de respostas e de redenção... e
encontrei apenas sangue e dor.”
Q05: Sua cabeça está mais baixa.
RECORDATÓRIO: “O que hei de fazer agora, meu Senhor? O que hei de
fazer?”
RECORDATÓRIO: “Poderia um imortal...”
Q06: A cabeça caiu para baixo, como se ele desmaiasse.
RECORDATÓRIO: “... encontrar um dia o alívio da morte?”.


Referências:
- MCLOUD, Scott. Desvendando os Quadrinhos.
- MOORE, Alan, Textos Selecionados.
- DANTON, Gian, Como Escrever Hq.

No comments: