Tuesday, September 7, 2010

As Histórias em Quadrinhos na Pequisa

(Fazer uma tempestade de idéias: cada um dos presentes terá que lembrar algum personagem de HQ de seu tempo de criança ou adolescência)
As HQ, inegavelmente, ocupam um espaço importante no entretenimento dos jovens e das crianças. E isso não é coisa recente. A história dos quadrinhos, segundo Moacy Cirne, começa ainda no século XIX, e se firma no começo do século XX com conhecidos heróis como o Tarzan ou o Super-Homem que são da primeira metade do século. Por outro lado, as HQ não existem apenas, elas fazem parte da vida de muitos desses jovens e crianças, que a cada dia são bombardeadas com suas mensagens e ideologias. E esses jovens e crianças que a cada momento são condicionados pelas mensagens muitas vezes subliminares das HQ são os mesmos que povoam nossas escolas ao lado dos educadores diariamente.

A intenção deste trabalho é propor alternativas para reverter em fator positivo a inegável influência que as HQ exercem na visão de mundo dos seus leitores. Conforme lembra Freire, "a ideologia tem um poder de persuasão indiscutível. O discursos ideológico nos ameaça de anestesiar a mente, de confundir a curiosidade, de distorcer a percepção dos fatos, das coisas, dos acontecimentos". Porque se "a ideologia tem que ver diretamente com a ocultação da verdade dos fatos, com o uso da linguagem para penumbrar ou opacizar a realidade ao mesmo tempo em que nos torna míopes", então cabe aos educadores ajudar seus educandos a des-cobrirem o que há por trás das Histórias em Quadrinhos.

É necessário considerar que "os meios também são um campo privilegiado da ideologia por se apresentam 'despretenciosamente', sem querer ensinar, passar receitas, ser 'chatos'. Apresentam-se numa relação direta, fácil, próxima, sem dificuldades de interpretação. Parece evidente o que transmitem". Por causa disso, cabe ao educador auxiliar no processo de "abrir os olhos" de seus educandos no que tange às ideologias embutidas nas historietas.

É certo que as ideologias das HQ atingem a todas as pessoas, e que seus preconceitos ofendem a muitos.

Potencialidades e características das HQ
Ao tratar-se de HQ, não se pode desconsiderar o fato de que muito do público leitor dessas histórias migra facilmente para os desenhos e filmes de seus personagens preferidos. Embora mude o meio de difusão, as ideologias que sustentam são as mesmas, de modo que outros exemplos (da televisão e do cinema) vão ratificar as análises aqui propostas. A metodologia de análise pode ser facilmente adaptada ao meio.

(Ver com os presentes alguns de seus costumes de infância: colecionar figuras, recortes, cartazes, cadernos etc de algum personagem de HQ)
O que acontece de mágico nas HQ é a beleza e a relação afetiva que elas são capazes de criar com seus leitores. Recortar figuras de suas histórias preferidas, colecionar revistas de seus heróis prediletos, decorar o quarto ou ainda carregar em forma de adornos e outros objetos de utilidade pessoal (cadernos, mochilas etc) lem,nranças dos personagens preferidos são práticas comuns entre crianças e adolescentes. Mudam as HQ, mas não mudam os costumes. Uma vez foi a Bolota e o Mandrake, agora é Pokémon, Pocahontas, Spawn. Amanhã certamente serão outros. Entretanto, "o encantamento cobra um alto preço, quando um de seus efeitos consiste em fazer com que seu público suspenda seu julgamento crítico sobre as mensagens ideológicas dominantes produzidas". Quer dizer, a beleza estética que impressiona acaba por mascarar muitas coisas passadas como verdades. São exatamente essas "verdades" que o educador deve aproveitar para trabalhar com seu grupo, não podendo deixar que os prazeres gerados pelas imagens e pela história possam suplantar as exigências de uma análise crítica da realidade para a qual a historieta aponta. Na criança, o prazer e a discussão crítica se encontram, e ambos formarão a sua personalidade. Aqui, não é o caso de eliminar o prazer da leitura, antes é aproveitá-lo para ultrapassar suas fronteiras e ir em direção à realidade sugerida pela história.

Em seu trabalho como educador, certamente "faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar conteúdos, mas também ensinar a pensar certo", assim como "faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação". O desafio será não exatamente ensinar o que é certo e o que é errado, ou revelar a verdade oculta aos olhos dos não iluminados, mas construir junto com os aprendizes uma forma de pensar, uma capacidade de refletir sobre a realidade que os cerca, a fim de que possam sempre identificá-la, conhecê-la e dominá-la. E conforme Freire, nessa tarefa, a discriminação deve ser totalmente rejeitada. Portanto, na proposta apresentada aqui, se privilegiam alguns exemplos onde a discriminação e os preconceitos aparecem disfarçadamente algumas vezes e outras nem tanto, da mesma forma como aparecem algumas idéias de superioridade masculina, assim como superioridade entre povos, entre outros. São temas sugeridos pelas próprias HQ. Caberá ao educador, como fazia Sócrates, ao confrontar-se com a historieta levar o aluno a perceber em sua própria história a realidade sugerida ou escondida na HQ. Depois disso, é deixar a HQ (que é apenas o motor de partida) e discutir a própria realidade. Não importa tanto se o aluno perceberá que as HQ mascaram a realidade, isto é mera conseqüência inevitável. O importante é que o aluno possa sentir-se desafiado a descortinar a sua realidade.

Leitura Crítica das Histórias em Quadrinhos
Eis aí um material muito rico para exercitar o senso crítico, julgar os interesses que andam disfarçados, e conhecer a realidade concreta não do personagem, mas do leitor das HQ, esse material são as Histórias em Quadrinhos.

A seguir apresentam-se alguns exemplos de como se pode trabalhar. Evidentemente que o trabalho pressupõe uma visão crítica das histórias em quadrinhos, entretanto, isto deve ser apenas o começo, já que o objetivo é a leitura da realidade dos alunos. Por uma questão didática, as HQ estão divididas em três grandes grupos: a Família Disney, a Turma da Mônica e os Super Heróis. Dentro de cada grupo, foram escolhidas algumas amostras significativas (evidentemente que não são as mais significativas, já que isto depende da forma e da realidade com a qual se vai trabalhar). Para cada amostra, é feito um pequeno exercício, dividido em duas partes: a) a Realidade dos Quadrinhos, que são alguns comentários sobre a historieta com alguma informação extra; b) a Realidade dos Alunos, que será des-coberta pelos próprios alunos através da ajuda do professor, através de perguntas provocadoras. As perguntas são a chave da descoberta. Evidentemente se trata da construção de um conhecimento, e uma visão da realidade. É, pois, uma aventura na qual apenas aqueles que estão dispostos a expor-se devem lançar-se.
"A leitura crítica é um processo de organização do saber que pode levar a várias percepções e sínteses diferentes, porém coerentes; diferentes, porque feitas a partir de ideologias diferentes. Leitura crítica, em síntese, é ajudar a perceber e, politicamente, a procurar que os adultos percebam a realidade a partir de um sistema de valores que consideramos melhor".

A Família Disney

As Relações Familiares
Realidade dos quadrinhos: O Brasil consome mais HQ da Disney que os Estados Unidos da América. Este dado já justifica um estudo sério e aprofundado sobre as HQ em nossa sociedade. As HQ Disney trazem forte traço a-familiar. Reparem-se as relações de parentesco entre os personagens, são sobrinhos e primos, não se encontram as relações pai, mãe, filho, esposa, esposo, etc. (Outro exemplo típico dessa ênfase a-familiar é o desenho animado dos "Defensores da Terra", onde há pais e filhos, mas nunca mães; somente o pai).

Realidade dos alunos: Você já viu uma família formada apenas por tios e sobrinhos? Você conhece alguma família grande? Que pessoas fazem parte dessa família? Como vivem as pessoas hoje em dia? E as pessoas que vêem de longe e não têm parentes por perto?

Zé Carioca
Realidade dos quadrinhos: Nas HQ Disney há um personagem brasileiro – Zé Carioca – e suas características são bem conhecidas: não pagas suas contas, só quer passear, não trabalha e nem gosta de trabalhar, só quer saber de namorar, etc. é tipicamente malandro.
Realidade dos alunos: Que imagem de brasileiro Disney tenta passar para o leitor? Essa imagem corresponde ao brasileiro que você conhece? Você se identifica com o Zé Carioca? Seus pais são assim? Você conhece alguém que não trabalha? Por que essa pessoa não trabalha? Como vive uma pessoa que não trabalha?

Os Trabalhadores
Realidade dos quadrinhos: Os personagens que geralmente aparecem como trabalhadores são o Pato Donald e Peninha, porém são eternamente pobres, por mais que produzam, dependentes e preocupados com a falta de dinheiro. Por outro lado, Tio Patinhas e Patacôncio só usufruem o que têm, ou estão ocupados (e preocupados) em ter mais.
Realidade dos alunos: Como poderíamos perceber as relações entre pobre e rico, entre empregados e patrões nas HQ? Você tem alguém na família que trabalha como empregado? Você conhece alguém que trabalha como empregado há muito tempo na mesma empresa? Essa pessoa conseguiu ficar rica trabalhando? Quantas pessoas que você conhece ficaram ricas devido ao salário que ganham? Você conhece alguma pessoa rica? Como ela conseguiu ficar rica?

Relação entre Pobres e Ricos
Realidade dos quadrinhos: Vovó Donalda e Urtigão são os personagens do campo. Seus problemas não são os mesmos enfrentados pelos trabalhadores do campo no Brasil. Eles não têm problemas com a Reforma Agrária, ou melhor, com a má distribuição de terras, não conhecem o Movimento dos Sem-Terras (MST). A vida do campo geralmente está associada com férias, tranqüilidade, descanso, etc.
Realidade dos alunos: Como acontece realmente a vida no campo? A luta pela sobrevivência, o trabalho duro, a seca, as enchentes, a falta de financiamentos, etc? As HQ (Vovó Donalda e Urtigão) têm alguma relação com a realidade rural que você conhece?


Racismo
Realidade dos quadrinhos: Outro ponto comum (não somente da família Disney, mas em todas as HQ, desenhos, filmes etc) é o forte racismo, seja ele contra os negros, índios ou outras raças. Tomemos por exemplo os negros. Geralmente aparecem no grupo dos fora-da-lei, bruxas, pobres, etc. A idéia de negros com tambores e ossinhos na cabeça é clássica e não somente revela preconceitos quanto à raça, criando estereótipos, mas quanto à cultura e o desenvolvimento africano. Por outro lado, quando personagens negros surgem em papéis de destaque sua cor não faz diferença (não é critério). Também acontece algo semelhante com índios. São selvagens – geralmente canibais –, são basicamente maus, só se tornam bons no momento em que começam a imitar as atitudes dos brancos civilizados. Todos temos em nossa lembrança as lutas entre os índios maus e os soldados bons dos filmes de bang-bang estadunidenses. Sua cultura é sempre colocada como primitiva e carente. Estas situações têm objetivo de alimentar um certo estado de coisas. Até que ponto refletem preconceitos? Quando se tratam de dados verdadeiros da realidade, as HQ querem mudança ou manutenção?
Realidade dos alunos: Você tem amigos negros? Em nossa cidade, como vivem as pessoas? Você conhece pessoas importantes (professores, atores, atletas, políticos, cantores, empresários, etc) que sejam negros? E que sejam brancos? Você acha que existem diferenças entre uns e outros? Quais são? Estão corretas? Os índios no Brasil eram pessoas pacíficas ou guerreiros ferozes (lembre da história da conquista do Brasil)?

O Feminismo de Margarida
Realidade dos quadrinhos: Margarida geralmente entra como feminista. Ela impõe sua vontade e é desejada pelos seus dois grandes pretendentes: Donald (de quem é eternamente namorada) e Gastão.

Realidade dos alunos: Ela realmente questiona a relação de opressão e marginalização (e desrespeito) da mulher? Por que, na maioria das vezes, ela é apresentada como objeto (coisa) de disputa entre Donald e Gastão? Margarida liberta a mulher ou a transforma em troféu de conquista masculina, ou que pode ser comprado? Como vivem as mulheres que você conhece? Por quanto tempo sua mãe ficou noiva de seu pai? Ela tinha outro namorado enquanto era noiva? Você gostaria que sua noiva tivesse outro namorado? Que qualidades são necessárias em uma mulher para que ela conquiste seu namorado?

Turma da Mônica

Violência
Realidade dos quadrinhos: A relação de violência entre as crianças é normal. Mônica é aceita normalmente como agressiva (e agressora). Nunca é questionado o fato de ela bater nas outras crianças. Pergunta-se se as HQ da Turma da Mônica incentivam a violência ou a denunciam? Que influência pode ter em nós, e particularmente nas crianças, tantas repetidas cenas de violência sem o mínimo de piedade e questionamentos? Será que o objetivo não é dizer que a violência e a agressão não causam sofrimento nem dor daqueles que são oprimidos?

Realidade dos alunos: Você acha que a violência é algo bom? Você gostaria de ser espancado por seus amigos? Você conhece casos em que a violência entre os jovens teve conseqüências mais graves? Você aprova isto? Você acredita que violência e amizade podem andar juntas? Como se pode identificar e evitar pessoas violentas?

Preconceitos
Realidade dos quadrinhos: muitos preconceitos podem ser vistos nas HQ. Entretanto, alguns ficam mais evidentes. Conforme a figura abaixo, vemos uma idéia muito explorada: a do cientista maluco. A ciência é geralmente vista como algo inacessível, de uns poucos isolados e sempre sem controle.
Realidade dos alunos: Você conhece algum cientista? De quais descobertas científicas você já ouviu falar? Na sua opinião, o que é ciência? Você acha que as experiências dos cientistas servem para o bem das pessoas? Você já inventou alguma coisa? O que você acha que precisa ser inventado? Em sua escola existe laboratório de ciências? Só os cientistas dos países ricos inventam coisas interessantes? Que inventos importantes foram descobertos por brasileiros?


A Questão das Idades
Realidade dos quadrinhos: Outra coisa interessante na Turma da Mônica é a dificuldade que se tem para identificar a idade das crianças. Se julgarmos pelas atitudes dos personagens infantis, que idade eles têm? Geralmente suas atitudes podem ser identificadas como imitação dos adultos. Andam de moto, viajam sozinhos, têm seu próprio dinheiro, fazem seus planos, etc. Talvez não seja demais lembrar que a Mônica é uma HQ brasileira; fica mais fácil fazer as devidas comparações. Com que intenções se apresentam crianças tão independentes de seus pais? Com que intenções se apresentam pais tão dispensáveis?
Realidade dos alunos: Que idade as crianças precisam ter para poder andar de moto? Com que idade uma pessoa se torna adulta? Com que idade as pessoas adquirem autonomia sobre suas decisões (como fazem as crianças da Turma da Mônica)? As crianças podem fazer o que querem sem dar satisfação aos seus pais?

Campo x Cidade
Realidade dos quadrinhos: Chico Bento é personagem bem conhecido na Turma. Suas características mais fortes são: é camponês, fala errado, veste-se mal, e anda de pés descalços (veja-se que mesmo estas considerações já se apresentam preconceituosas). Pergunta-se se Chico bento reflete o homem do campo? Sua ingenuidade é passada como pureza ou como burrice? Na relação com seus parentes da cidade, Chico Bento é tido como igual ou como inferior? Ele é alguém que tem uma cultura ou alguém que precisa aprender a ser gente com o pessoal da cidade?
Realidade dos alunos: Você conhece alguém que morava na roça (campo, para fora, etc) e que agora vive na cidade? Seus avós (ou bisavós) eram agricultores ou sempre viveram na cidade? Você conhece como é a vida no campo? Você já imaginou nossa vida sem os produtos agrícolas? Quais são as dificuldades que existem no campo? O que acontece quando uma pessoa que vive no campo vem morar na cidade? Que profissão ele pode ter?


As Crianças na Rua
Realidade dos quadrinhos: Uma outra curiosidade tanto em HQ de um modo geral como também em desenhos e até mesmo em novelas e filmes de estúdio, é a ausência absoluta de mendigos nas ruas. Apesar de boa parte das HQ da Turma da Mônica acontecerem com crianças, e muitas histórias acontecerem nas ruas, entre eles não há problemas com menores abandonados. A vida das crianças nessas HQ reflete a vida das crianças de nosso país? São crianças brasileiras? A HQ da Turma da Mônica é.
Realidade os alunos: Você conhece crianças que vivem nas ruas? Você acha que existem crianças que não têm casa em nossa cidade? Não existe perigo para as crianças viverem sozinhas nas ruas? Quem tem dever de cuidar das crianças?

O Papel das Mulheres
Realidade dos quadrinhos: Outro aspecto que podemos observar é o papel da mulher nas HQ, um objeto útil para o trabalho doméstico. Na Turma da Mônica a mulher é mãe e dona de casa (sempre com a sugestiva imagem de uma mulher com avental e chinelinho...), e também não fica de fora a imagem de objeto de conquista dos homens ou troféu a ser conquistado.
Realidade dos alunos: Você conhece alguma mulher que trabalha fora de casa (que tem emprego)? Você acha que as profissões só podem ser exercidas pelos homens? Existem profissões exclusivas só para mulheres e outras só para homens? Por quê? Se homens e mulheres fazem um mesmo serviço, é certo receberem salários diferentes? Por quê?

Super-Heróis

Bem x Mal
Realidade dos quadrinhos: O bem sempre vence o mal. Esta é uma verdade que tranqüiliza qualquer um que leia HQ, de super-heróis especialmente; eles sempre vencem os bandidos no final. Mas o que podemos perguntar é se, na realidade, é assim mesmo que acontece? O temos visto em nossa sociedade, no dia-a-dia, nos leva a acreditar que a justiça sempre vence? Que os que praticam o mal sempre são punidos? Ou será que temos presenciado a cada dia os bandidos vencerem?
Realidade dos alunos: Você já viu alguma injustiça? Você acha que os advogados e os juízes defendem sempre quem tem razão? Você já viu algum bandido no Brasil não ser condenado? Se você vê uma pessoa mal vestida, de noite, você fica desconfiada que seja um ladrão? Você já ouviu falar de CPI? Você conhece os escândalos denunciados pelas CPIs? Acha que é possível gente bem arrumada roubar tanto? Acha que essa gente será punida? Pensa que o bem vence o mal?

Organização Popular
Realidade dos quadrinhos: Certamente o ponto chave das HQ de super-heróis é o fato de que sempre conseguem vencer tudo e todos (ainda que tenham por alguns momentos aparentes derrotas). O super-herói resolve tudo, desde tirar um gatinho de cima de uma árvore até fazer o tempo voltar atrás e evitar a destruição de cidades inteiras, fazendo, inclusive, pessoas que já tinham morrido voltarem à vida (esse foi o caso do final do filme "Super Homem, o Filme"). Por que será que me histórias de super-heróis não existem grupos sociais organizados (igrejas, sindicatos, associações de bairro, etc)? Será que as HQ desse tipo são antiorganização popular?
Realidade dos alunos: Você acha possível viver numa cidade onde não exista igreja, sindicato, partido político, etc? Você acha que todos têm direito de decidir as coisas (como nas eleições) ou uma pessoa só sabe o que é bom para todo mundo? Você acha certo que uma pessoa decida tudo sozinha? Para que servem as leis? Você já viu alguma injustiça ser cometida? É certo fazer justiça pelas próprias mãos?

Herói Nacional – Um Jogo de Cores

Realidade dos quadrinhos: Ao contrário da Família Disney, com o Zé Carioca, e da Turma da Mônica, que dizem ser ambos brasileiros (isto cada um que julgue), não temos nenhum super-herói consagrado que seja brasileiro. Em sua maioria, pelo uniforme que usam, já indicam sua nacionalidade. Porém, pergunta-se, que critérios precisam preencher para ser considerados heróis? Ter poderes sobrenaturais? Será que não temos mesmo, ou isto é mais uma que querem a gente pense? Através das cores dos ‘uniformes’ dos heróis podemos identificar algumas idéias/ideologias. Reparemos na roupa do Homem Aranha, do Demolidor, Thor, Super Homem, Mulher Maravilha (estes dois últimos com a exceção ao amarelo) e o flagrante Capitão América (com seu prepotente nome). Se fizermos uma comparação com estas cores (além da forma das roupas da Mulher Maravilha e do Capitão América) ficará sugestivo demais a bandeira dos Estados Unidos da América. Constantemente somos bombardeados com o nacionalismo estadunidense. Repare-se: o nome "Capitão América" traz em si a expressão arrogante de que os EUA são um país chamado América (e como fica o continente americano?). Sua intenção com isso não será afirmar que os EUA podem falar em nome de todo o continente? Bom para eles, bom para nós. Veja-se também alguns nomes de heróis: Superman, He Man, Batman, (e a Bat Girl); usa-se o inglês naturalmente. Batman jamais é traduzido (nem He Man) e quando é colocado em português, mas parece explicação do que tradução. Por que tantos nomes em inglês? Por que tanta mistura de azul e vermelho?
Realidade dos alunos: Quais são as cores de nossa bandeira? Você acha que precisamos de um Capitão Brasil? Você concorda que uma pessoa só seja representante de um país inteiro como o nosso? Você acha que temos muitas diferenças regionais? O que você sabe sobre a vida dos povos da floresta amazônica? Comente sobre a vida do povo do Pantanal? O que nos caracteriza? Como podemos viver com tanta diversidade?

Tecnologia a Serviço dos Necessitados
Realidade dos quadrinhos: Algo em comum entre Batman-Robin (melhor exemplo com a bat-caverna), Quarteto Fantástico (ver figura abaixo), Defensores da Terra, Super Amigos, Homem Biônico (e a Mulher Biônica), Star Wars, sejam eles HQ, desenho ou filme, é que todos trabalham com equipamentos bastante sofisticados e caros (complexos sistemas eletrônicos com computadores, naves, observatórios, carros fantásticos etc). Sempre é afirmado que tudo isto é colocado na defesa dos ‘fracos e oprimidos’, na defesa da justiça, etc. Se olharmos a nossa volta, será que teríamos condições de afirmar que pessoas (ou grupos empresariais, governos ou instituições) que têm esse tipo de equipamento os colocam em defesa da justiça social e dos necessitados, ou com ele têm reforçado a opressão social? Por que as HQ insistem com essa idéia? Ela reflete a realidade? Como acontece a relação entre pobres e ricos nas histórias de super-heróis? Ou este tem nunca é enfocado? Por que se gasta tanto em destruição nas HQ de super-heróis? Será que é para justificar algum tipo de destruição que acontece na realidade?
Realidade dos alunos: Você conhece alguma empresa com equipamentos modernos? Sua escola tem equipamentos muito caros? Todos podem usar? Você já visitou algum observatório atômico? Acha que qualquer pessoa pode entrar num lugar desse tipo? Os pobres podem usar equipamentos sofisticados? Quais são as diferenças entre os hospitais particulares e os hospitais públicos? E entre as escolas (particulares e públicas)?


As Heroínas
Realidade dos quadrinhos: Inicialmente as HQ apresentavam um número bastante baixo de super-heroínas (muito embora, por exemplo, a Super Moça exista desde 1956). Hoje temos muitas mulheres nas HQ de super-heróis. Todas elas têm corpos muito sensuais, geralmente aparecem com enormes seios em parte expostos, roupas ligadas ao corpo (assim como os homens), em sua maioria com pernas expostas. Há uma exploração do corpo! As HQ exploram de tal forma o corpo feminino colocando suas heroínas em posições bastante sensuais, como as figuras abaixo, de duas épocas bem diferentes.

Realidade dos alunos: Onde as mulheres andam com este tipo de roupa? Você conhece alguma mulher que seja heroína? Qual é a mulher mais importante de sua vida? O que ela faz para você? Ela se veste assim? Você conhece mulheres que tenham feito grandes atos em favor de muitas pessoas? Você acha que as mulheres precisam usar seu corpo (sexualmente) para poderem conseguir realizar as coisas?

Relações Familiares
"Aqui começou o maior problema enfrentado pelo Superman. ...Lois Lane e Clark Kent são colegas no "Dailly Star". Ela, porém, não quer nada com o fracote, tímido e às vezes covarde Clark. Em compensação, nos braços do Superman ela se sente outra mulher. Apaixona-se pelo herói, e nestes 50 anos, embora às vezes tenha desconfiado, nunca juntou os dois num só homem. Conseqüência: Lois – que no Brasil chama de Miriam – continua à espera de seu príncipe encantado. O casamento pelo jeito, nunca sairá..."
Realidade dos quadrinhos: Algumas coisas surpreendem o leitor (e fica gritante quando se trata de filme). Os super-heróis dificilmente descansam, ou dormem. Caso namorem, não se envolvem totalmente; até parece que não têm sentimentos! Uma das características mais comum é o fato de serem solteiros. Também aqui acontece algo semelhante à Família Disney, existe uma história a-familiar; os super-heróis dificilmente têm família. Há, entretanto, um herói bem conhecido que tem família, trata-se de Tarzan, porém vive com uma mulher que não é sua esposa, tem uma criança que não é seu filho (nem de sua mulher). Jane, Boy e Tarzan sugerem algum modelo de família para os leitores? Não teria caráter machista este estado civil dos super-heróis? Com as heroínas não acontece o mesmo? Que intenção há nisso?
Realidade dos alunos: Você conhece alguém que tem filho mãe ou pai? Por quais razões essa criança (pessoa) não tem seus pais juntos? É possível alguém nascer sem família? Para que serve a família na vida de uma criança? Você gostaria de ter sua própria família (esposa ou esposo e seus filhos)?

Destruição Sem Morte
Realidade dos quadrinhos: A violência é a constante nesse tipo de HQ. Há permanentes guerras entre o bem e o mal. Curioso é que, por mais que explodam planetas, incendeiem cidades, caiam naves, não se costuma ver cadáveres. Por acaso isto quer passar a idéia que guerra só destrói coisas e não destrói gente? Já paramos para pensar por que constantemente surgem novos heróis, enfrentando novas guerras? Veja os Heróis Marvel, Heróis da TV. Por que sempre é necessário lutar e continuar lutando? Por que nunca se consegue a paz, se os que promovem o mal são mortos pelos super-heróis? Talvez tenhamos atentar e ver se as HQ mostram os promotores do mal ou os seus capangas. Os super-heróis estão destruindo os promotores da guerra ou seus representantes? Existe algo que está sendo escondido? Quem realmente promove a guerra? Quem, na realidade, é nosso inimigo? O que mais provoca morte e destruição da vida do ser humano no dia-a-dia? Você já viu algum super-herói lutar contra a inflação, contra o alto custo de vida, o desemprego, a falta de saneamento básico, as epidemias geradas pela miséria, ou protestar contra os altos preços? Não são estas coisas que têm matado a maioria das pessoas hoje em dia?
Realidade dos alunos: Você já viu pela televisão notícias de guerras? Você ouviu falar das mortes como resultado de guerras? Em outras situações de destruição morrem pessoas e as coisas são destruídas? O que é um acidente ecológico? Como podemos evitar destruição do nosso meio ambiente? Quem deve defender a vida?
Seqüência 1

Seqüência 2


Sem Medo
Realidade dos quadrinhos: Por outro lado, as atitudes das heroínas em nada diferem dos heróis: têm poderes especiais, não choram, não se assustam, não têm medo, matam impiedosamente, etc. Esta igualdade de atitudes das mulheres (seu caráter, personalidade, sentimentos, sensibilidade, etc), dos seus traços humanos característicos, reduzem a mulher a um corpo bem moldado, conforme visto anteriormente.
Realidade dos alunos: Ter medo é o mesmo que ser covarde? Medo é sinal de fraqueza? Você já teve medo de alguma coisa? Você acha que devemos enfrentar as coisas sempre de frente? As mulheres são mais medrosas que os homens? Quando há problemas a serem enfrentados os homens e as mulheres devem ajudar-se? Quais são os problemas que poderíamos enfrentar juntos?


Conclusão
Sem dúvida, as HQ estão cheias de ideologias e mensagens nem tão subliminares como muitos pensam. Isto deve estar claro para aqueles que pretendem usá-las em sua prática de ensino. Não obrigatoriamente precisamos colocar-nos contra as HQ, pois isso é uma atitude um tanto quanto improdutiva. É como tapar o sol com a peneira. Pelo contrário, fazer vir a tona aquilo que elas podem propiciar: interesse dos alunos e temas diversos.
O trabalho proposto é uma aventura, pois aposta na liberdade de expressão dos alunos, na capacidade de reflexão do grupo e na competência do professor de fazer a pergunta certa. Muitas vezes o aluno dá a resposta correta, entretanto o professor lhe faz a pergunta errada. O desafio está lançado, a realidade está dada, basta ser des-coberta com o trabalho colaborativo entre alunos e professores, com a ajuda das Histórias em Quadrinhos.



Técnicas de trabalho com as HQ
A seguir, sugere-se alguns passos para grupos de estudo em sala de aula.
1. O educador deve prepar-se para adotar as HQ como instrumento de trabalho. Antes de tudo, deve lê-las, conhecê-las, estar acostumado com sua linguagem, com sua forma, com seus personagens. Ou seja, deve ser um leitor como os alunos, a fim de compreender com mais facilidade as relações que serão feitas durante os debates, e os exemplos que serão dados.
2. Sócrates, filósofo da Grécia antiga, adotava para sua prática de ensino uma técnica inspirada em sua mãe, que era parteira, chamada maiêutica, que consistia em fazer as perguntas certas, a fim de tirar de seu aprendiz o conhecimento que estava dentro dele. Aqui, a postura do educador deve ser socrática, quer dizer, acreditar que seu aprendiz tem algo a dizer, cabendo-lhe ao professor, entretanto, elaborar as perguntas mais eficazes para tal efeito. Fazer as perguntas certas é o cerne da metodologia desta proposta. Por isso, não há receitas, mas sim pistas e exemplos. O educador deve ser criativo, deverá saber improvisar. E, lembre-se, improvisar não quer dizer inventar na hora, mas estar preparado para qualquer situação a qualquer momento.
3. É indispensável que sempre se tenham diferentes HQ, para que o grupo possa escolher aquelas que mais goste ou que julgue mais adequadas para o trabalho. Os temas a serem discutidos devem surgir de dentro das próprias HQ; este é o cerne da proposta: deixar que as HQ falem, desafiem, proponham a discussão. É interessante usar HQ conhecidas e escolher personagens chaves dentro delas, pois isso facilitará o trabalho do grupo, já que terão linguagem comum e não haverá necessidade de longas explicações e apresentações dos personagens ou situações criadas dentro das historietas.
4. Em pequenos grupos, trabalhar com o material mais importante que é a própria HQ, tentando, agora, ler, ver as figuras, reparar as cores, o jogo de palavras, as ênfases, os grifos, etc. Além da moral da história, os grupos deverão discutir sobre o material, identificando ali a sua realidade. Neste momento, a intenção não é perguntar "o que há por trás das HQ?", mas receber o que ela propõe, evidentemente não como a verdade, mas como tema para estudo e aprofundamento. Ainda não é o momendo para chamar a atenção para aquilo que vai embutido nas HQs, as idéias, os interesses, as ideologias etc. Embora nos grupos surgirão críticas e denúncias de que as coisas não são bem assim, o objetivo não é analisar as HQ, mas sim a realidade da qual elas falam (isso deve ficar claro, já que é o objetivo da proposta). Será no debate que se abrirão os novos horizontes. Não há por que preocupar-se, pois a consciência crítica às HQ surge naturalmente com o manuseio do material e a discussão da realidade.
5. De forma criativa, cada grupo apresentará suas conclusões. É indispensável a participação de todos. Podem ser usados diversos recursos, tais como: poesia, cartazes, vídeo, música, esquema, relatório, etc, entretanto, usar a própria HQ é o mais interessante, para tanto apresentamos algumas sugestões abaixo:

Classificar temas
Antes de realizar qualquer trabalho, é interessante colocar à disposição do grupo todas as HQ disponíveis para que possam folheá-las e conhecê-las. Em seguida, deixar-se penetrar pelo que propõe e tentar uma divisão por temas tais como: histórias que tratam da violência, que tenham mulheres, que apresentem pessoas de raças diferentes, que têm ladrões e bandidos, etc.

Mudar cores
É possível perceber sem grandes esforços que as cores têm um papel importante dentro das HQ. Experimente fazer perguntas sobre as cores dos uniformes dos super-heróis clássicos, especialmente Super-Man, Capitão América e Mulher Maravilha. Como seria um super-herói brasileiro? Que cores teria?

Redesenhar
É interessante, mesmo sem ter domínio da arte do desenho, escolher algumas tiras das quais se possam modificar os desenhos, alterando as fisionomias, posição, disposição dos móveis, das casas, dos personagens.

X e Y na terra dos números
Imaginar que X e Y são personagens que acabam de nascer, mas ainda são incógnitas para si mesmos. Então se lançam em uma aventura para descobrirem o mundo e a eles próprios. Os primeiros que vão conhecer são os números. Cada um vai falar de si e mostrar o que é capaz de fazer, de significar, de mudar a história do mundo, em que momentos importantes da humanidade já estiveram presentes.

X e Y na terra medida (geo-metria)
Os personagens resolvem ir para uma terra onde tudo é medido. Querem descobrir um pouco de si mesmos naquele lugar.

Fotos pessoais com balões
Cada aluno pode levar para aula diversas fotos de sua família (que possam ser usadas), sejam elas coloridas ou em P&B. Vão contar a história de sua família e sua própria história colocando balõezinhos com falas nas fotos, e criando diálogos entre os personagens (familiares).

Tio Patinhas é pobre
Imaginemos que num determinado momento um personagem das HQ mude radicalmente de situação: Tio Patinhas passa a ser muito pobre, Gastão passa a ser um azarão, Zé Carioca começa a trabalhar, ou ainda Mônica deixa de ser violenta, Cascão se torna extremamente higiênico; ainda com os super-heróis, Super-Man revela sua identidade, a Mulher Maravilha se torna dona de casa... Como ficariam os diálogos? Como se colocariam os problemas? Como seriam resolvidos?

Apagar balões
Escolher qualquer HQ e apagar as falas de todos os balões. Inventar novos diálogos. Se se julgar interessante, pode-se fazer uma fotocópia ou da HQ original ou trabalhar na fotocópia (o que preserva o material original para outros momentos), para conferir as mudanças que houve. Pode-se fazer este trabalho sem ler a história original ou depois de debatê-la, quer dizer, a reflexão sobre a história original e a modificada pode vir antes ou depois do trabalho de alteração.

Do quadrinho para o texto
Transformar uma HQ em texto. Reescrever a história usando outro estilo. este tipo de trabalho se presta muito bem para aulas de línguas, seja portuguesa ou estrangeiras. Pode-se perceber através dela a quantidade de informações (muitas subliminares) que são passadas nos quadrinhos.

Do texto para o quadrinho
Para grupos que tenham disposição para trabalhar com as artes, particularmente com desenho (não precisa ser de forma algum preciso), transformar um texto que conte qualquer fato e transformá-lo numa HQ. Aproveitar-se dos recursos dos balões, das cores, da disposição das imagens, etc.


Bibliografia
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