Friday, August 6, 2010

A situação das pesquisas acadêmicas nos quadrinhos



A situação acadêmica dos quadrinhos no Brasil.


Há um consenso geral de que os quadrinhos no Brasil são uma forma quase que marginal de produção - excetuando-se a prática da tradução e os estúdios Maurício de Sousa não temos uma tiragem editorial expressiva no país se considerarmos o fator tempo.

Por esse motivo, a grande maioria das pesquisas acadêmicas se concentram em material estrangeiro (Europa e Estados Unidos da América), bem como no autor de Mônica e sua turma. Recentemente, porém, Paulo Ramos lançou um livro sobre os quadrinhos na Argentina. De fato, o que temos no Brasil são análises e mais análises que se congelaram nos anos 80 e na pesquisa ideológica de propaganda. Ou seja, as histórias em quadrinhos são vistas como um mero meio de propagação de idéias com o intuito de manter o status quo. Mimimimimimimimimi...

Afinal de contas, como se organizam as pesquisas em Histórias em Quadrinhos no Brasil? Na realidade, podemos dividi-las basicamente pelo mesmo processo em que temos os maiores sites de quadrinhos no país. A Universidade de São Paulo seria, então, o correspondente do Omelete: centralizador, visivelmente preocupado com o mercado e, o que seria uma denúncia grave em termos de ética acadêmica, preocupado em ser politicamente correto.

O verdadeiro lance da USP, portanto, é a produção de livros de baixa qualidade que seguem as modas institucionais sobre o tema. Penalizo-me imensamente por isso, pois, a NPHQ deveria e poderia ser um dos mais importantes núcleos para a pesquisa acadêmica sobre o tema.

Em contrapartida, temos a iniciativa no Rio de Janeiro comandada pela UESA. Isso mesmo, senhoras e senhores, a Universidade Estácio de Sá, com todos os seus problemas e semelhanças com a IURD tem uma importante iniciativa em prol das Histórias em quadrinhos. Estranhamente, não há pesquisa ou produção de artigos relevantes, porém, eles conseguiram desenvolver, desde 1998, constantes cursos para a criação de um curso tecnólogo em Histórias em quadrinhos. O objetivo nada mais é do que diplomar escritores e desenhistas para que eles possam trabalhar no mercado com alguma referência acadêmica, além de, é claro, fornecer mais dindin aos cofres da Universidade.

Na Paraíba, isso mesmo Pa-ra-í-ba (para os analfabetos leitores que ainda não aprenderam separação silábica), temos a iniciativa da editora Marca de Fantasia. Essa editora publica trabalhos da UFPB, em sua maioria, que lidam com diversas questões da contemporaneidade. Uma das linhas da editora é a publicação sistemática de pequenas obras que lidam com a temática dos quadrinhos. Em sua maioria, os livros abordam comparações entre a linguagem dos quadrinhos e a linguagem de outras artes, bem como leituras de diversas obras - Watchmen, Príncipe Valente, Miracleman, Capitão América e outras. É uma pena, porém, que a distribuição dessas obras ainda não tenha um caráter nacional, dificultando ao especialista conseguir os exemplares.

Voltando à USP e ao mais importante núcleo de pesquisas brasileiro, devemos compor algumas linhas a mais. Se pudéssemos resumir a iniciativa do NPHQ, podemos relacioná-la com as iniciativas em literatura que existiam nos primórdios das universidades brasileiras. Dessa forma, são três as frentes de acesso das publicações da USP - pedagogia (ou seja, mimimimi), história das histórias em quadrinhos, análise ideológica (quase como se as histórias em quadrinhos fossem o único meio ideológico do mundo) e apresentação de áreas obscuras e inexpressivas para a produção mundial. É uma pena, pois a maioria da verba governamental destinada a pesquisas em quadrinhos vai para isso e não para uma hermenêutica dos quadrinhos.

Outras universidades também desenvolvem pesquisas, porém, são basicamente essas as linhas de produção acadêmica de quadrinhos no Brasil. O que fica evidente, entretanto é a maciça maioria de produções que sequer tem órgãos para subsidiar, tornando a vida do pesquisador de quadrinhos algo no mínimo parecido com o garimpo de material. Triste fato e triste política com relação aos quadrinhos no Brasil...

House_MD é pesquisador de HQ desde 2000 e adoraria sentar num Congresso com o pessoal da USP para colocá-los em dúvida quanto aos modismos da Academia...

Fonte:
http://noticiasrss.rockapneia.com.br/ler-noticia.asp?id=1022507

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