Wednesday, August 18, 2010

Entrevista Exclusiva com a Artista Plástica Verônica Saiki

Por Michelle Ramos

Tive a oportunidade de conhecer a Verônica Saiki através da internet, na verdade foi ela quem me encontrou primeiro, enviando-me um e-mail onde apresentava seu curioso personagem, o Verdugo, de lá pra cá, passaram alguns meses, entre computador quebrado e lan houses de péssima qualidade, até que, finalmente, pude conversar decentemente com essa artista, que busca seu lugar ao sol, no reino dos quadrinistas reconhecidos.

Esta entrevista realizada por e-mail, nos mostra mais uma vez que o Brasil é recheado de artistas de qualidade, precisando apenas de oportunidade de mostrar seu belo talento, e fico ainda mais orgulhosa quando este, se mostra mais e mais feminino. Sem muito conversa mole, tenho o prazer de apresentar a Verônica Saiki!

Quando você iniciou sua carreira de quadrinista independente?
Comecei a me interessar em escrever histórias em quadrinhos com 10 anos, criei uma turma de personagens, bolava histórias e montava minhas revistas. Na época não fazia idéia que aquilo já poderia ser um fanzine, mas na minha mente eram somente idéias infantis mesmo, de ter em mãos um trabalho pronto e existente na vida e na dos colegas que as liam.
Com Verdugo já foi algo mais sólido, pois sonhava um dia poder publicar e vender minha revista e logo que fiquei conhecendo o termo “fanzine” tratei de montá-la e correr atrás dos meios gráficos para torná-la real. Esse despertar aconteceu no início do ano de 2007.

Quando criou o personagem VERDUGO? Fale-nos sobre quem é ele, e se existe alguma história curiosa em cima da escolha deste nome para seu personagem.

Verdugo surgiu na época da faculdade, fiz Artes Plásticas na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. E por lá, vivia as voltas com aquelas técnicas todas e confusões geradas pela escolha certa para a profissão, pois se sabe que ser Artista Plástico no Brasil não é lá um mar de rosas… Assim como ser quadrinista. Então o personagem era um escape para estas situações que, até se tornavam cômicas e eu as retratava-as em tiras ou desenhos com o personagem nas folhas do meu caderno.
A escolha do nome foi algo que surgiu como um estalo, pois precisava de um nome bacana e que fosse “a cara” dele. E um dia no caminho para a faculdade achei uma parede manchada e nela era como se eu pudesse ler com as manchas “V-e-r-d-u-g-o” na hora pensei: “Isso! o nome que eu procurava!” O significado dele em dicionário não é agradável, porém também não é o único, pois Verdugo é também um nome dado a uma parte da roda dos vagões, que serve para não descarrilá-los.



O personagem já tem três revistas publicas, fale um pouco como foi o processo para conseguir publicar seu personagem:

A primeira revista foi uma grande alegria! Ver um trabalho pronto e um sonho realizado, pois sempre imaginava como seria ter uma revista própria em mãos. As outras foram frutos das vendas da primeira e assim será as demais. A única coisa que quero é continuar divulgando, pois não penso em sucesso com editora, mas na satisfação de ver poucas pessoas adquirindo meus exemplares e me retornando com incentivo e críticas para sempre poder melhorar nas próximas edições.


Como tem sido a aceitação dos leitores em geral com seu trabalho até o momento?

O pessoal vem timidamente aceitando, é aquela coisa, o público tem receio do desconhecido então por que comprar uma revista estranha com um personagem mais estranho ainda? Mas vou divulgando e acreditando cada dia no trabalho e na descoberta de novos leitores para o mesmo.



Do que exatamente trata as histórias do Verdugo? O que você pensa na hora em que escreve?

De nós, do eu interior de cada um de nós. Verdugo é um pouco do nosso interior e a busca incessante por objetivos e no caminho o encontro com frustrações, surpresas, etc. O Silueta também é um reflexo nosso, do nosso orgulho, egoísmo, falta de atitude, entre outros sentimentos ruins que também habitam os corações de vez em quando.

O personagem possui um lado fantástico, pois tem um pincel mágico, que lhe permite criar coisas que, se tornam reais. Já as histórias, são baseadas em situações cômicas do cotidiano, com reflexão.

Existem outros projetos fora o Verdugo produzidos por você? Fale um pouco sobre essas idéias:

Venho trabalhando como ilustradora de livros infanto-juvenis, caricaturista, com esculturas de papel machê… Acho que resumindo gosto de tudo que é relacionado às Artes Plásticas, do fazer, do mexer e tornar real. De observar um trabalho desde o começo até sua finalização. Estes são meus projetos que tenho orgulho e muito gosto em realizar.

Como é para você ser Mulher e Quadrinista, num ambiente onde a maioria é formada por homens?

Não é fácil. Digo isso pelo tempo e nem pelo ambiente ser formado mais pela ala masculina.

Quando eu era criança e adolescente tinha um tempão para trabalhar meus quadrinhos, agora que sou adulta o tempo parece que encolheu e sinto que pelo fato de ser mulher isso contribui bastante, pois o tempo da mulher e seus afazeres diários sempre parecem menores, em relação ao do homem.

Não sinto discriminação. Na verdade ser quadrinista sempre parece uma surpresa aos olhos dos outros, sendo você homem ou mulher.



Como você vê a atual situação das editoras com relação aos quadrinhos independentes?

Nula, indiferente. Pra falar a verdade nem procuro mais editoras, houve outra época que fiquei atrás, mas ouvir aquelas mesmas palavras de “não” e sentir nos olhos deles que não há crédito para seu trabalho é muito desanimador. Lógico que sempre se torce por alguma oferecer carta branca e acreditar em você, e enquanto esse sonho não se realiza, continuo com meu trabalho independente.

Você tem acompanhado alguma revista independente regularmente?

Sim, Samurai Tchê do Luciano e César.

Qual sua dica ou mensagem para os quadrinistas que estão começando agora e ainda não tem uma revista publicada?

Publique! Não espere por ninguém, acredite no seu trabalho. Sempre há um jeito o que não podemos é parar.

Fonte:
http://zinebrasil.wordpress.com/2008/07/13/entrevista-exclusiva-com-a-artista-plastica-veronica-saiki/

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