Sunday, August 29, 2010

CIBEREDUCAÇÃO EM ARTE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS







Resumo: O que difere o ensino da arte no ciberespaço do ensino da arte
em cursos presenciais? Que metodologia utilizar na arte-educação a
distância? Quais são os principais desafios enfrentados e as perspectivas
que se apresentam aos educadores que optam por essa modalidade de
ensino? Essas são algumas reflexões apresentadas neste artigo, com
objetivo de fundamentar um debate a respeito da cibereducação em
arte.

Palavras-chave: arte-educação; educação a distância; cibereducação em
arte; metodologias; produção artística
Sheila Maria Conde Rocha Campelloi
Como ensinar arte por meio da educação a distância? O que difere o
ensino da arte no ciberespaço do ensino da arte em cursos presenciais? Como
enfrentar o desafio do atelier para viabilizar a produção artística no ciberespaço?
Estas são algumas das questões que surgem, sempre que apresentamos os
projetos do Grupo Arteduca, que desde 2003 tem oferecido cursos a distância no
Instituto de Artes da Universidade de Brasília (IdA/UnB).
O Grupo Arteduca iniciou as atividades de implantação dessa modalidade
de ensino no IdA por meio da oferta da especialização Arteduca: Arte, Educação
e Tecnologias Contemporâneas1. Posteriormente, em parceria com professores
de outras Instituições de Ensino Superior (IES), foram elaborados os projetos
das Licenciaturas em Artes Visuais, Música e Teatro. Aprovados pelos editais dos
programas Pró-licenciatura e Universidade Aberta do Brasil (UAB)2 tais projetos
encontram-se em andamento. Essas experiências têm demonstrado que o maior
desafio enfrentado não é viabilizar aprendizagens nesses cursos, mas vencer o
preconceito que ainda existe em relação a essa modalidade de ensino no campo
da arte-educação.
A atuação na coordenação de dois desses cursos, o Arteduca e a
Licenciatura em Artes Visuais do Programa Pró-licenciatura, tem sido preciosa
para fundamentar reflexões a respeito das metodologias de ensino da arte no
ciberespaço. As questões apresentadas no primeiro parágrafo deste artigo
poderão ser utilizadas para nortear as reflexões propostas neste artigo.
O que difere o ensino da arte no ciberespaço do ensino da arte
presencial?
Para se pensar em metodologias de ensino da arte a distância deve-se ter
em mente que é necessário um estudo aprofundado a respeito das metodologias
de ensino da arte em cursos presenciais, tendo em vista que o objeto de estudo
i Doutoranda em Arte no Instituto de Artes da Universidade de Brasília (IdA/UnB), na linha de
pesquisa Arte e Tecnologia; coordenadora da Licenciatura em Artes Visuais a distância pelo
programa Pró-licenciatura e coordenadora pedagógica da especialização Arteduca: Arte, Educação
e Tecnologias Contemporâneas, no IdA/UnB. sheilacampello@arteduca.unb.br - (61) 33072320.
nas duas modalidades de ensino é o mesmo – a arte. O professor deverá,
portanto, fundamentar a construção de sua prática pedagógica na epistemologia
da arte-educação. Não há mágica na educação a distância. Seus pressupostos
são os mesmos da educação presencial. O educador deverá aprofundar estudos a
respeito das abordagens teóricas aplicadas ao ensino da arte, buscando
encontrar mecanismos para adaptá-las às características do ciberespaço, tirando
o melhor partido possível das vantagens que ele oferece em relação à
disponibilidade de recursos tecnológicos e à flexibilidade de tempo e espaço.
Devemos considerar que a construção das metodologias aplicadas ao
ensino da arte são prerrogativas do professor. Por esse motivo é muito
importante investir em sua formação continuada, para que eles tenham contato
com a diversidade de propostas, encontrando aí os subsídios necessários para a
construção de suas próprias abordagens teórico-metodológicas.
É muito importante que os educadores percebam, também, que existe
uma inter-relação entre as práticas teórico-metodológicas de ensino e as
movimentações sociais e culturais. Por esse motivo, os educadores devem
manter sempre o olhar voltado para a história dessas movimentações, buscando
compreender as relações entre a educação e o contexto histórico-cultural, para
construírem em bases sólidas suas propostas teórico-metodológicas.
E o que emerge das movimentações da atualidade?
Uma nova estrutura tecno-social emerge das movimentações atuais,
gerando novos conceitos de espaço, tempo e linguagem. Esse novo espaço, o
ciberespaço, abriga novas formas de cultura, a cibercultura, e se utiliza de nova
forma de escrita, a multimídia. Esta, por sua vez, resulta em co-autorias que se
alternam em diferentes janelas e se comunicam formando redes de
relacionamentos. Nessas redes sociais emergentes podemos brincar de criar
múltiplos “eus” sem corpo que resultam em diversas “vidas”. A vida real
confunde-se com as diferentes janelas que criamos para abrigar todas essas
“vidas”, como constata Sherry Turkle (1995), em pesquisa realizada em jogos
virtuais multiusuário. É com esse novo sujeito, que transita entre todas essas
janelas, que lidamos ao propor formações no ciberespaço (CAMPELLO, 2008).
A aprendizagem em ambientes virtuais
Devemos, ao propor metodologias para o ensino da arte em ambientes
virtuais, pensar que contamos com aprendizes que estão imersos nessa
cibercultura. Dessa forma, cada aluno não é apenas um aprendiz, mas é,
também, esse ser multifacetado, capaz de se reproduzir em diversos “eus”. São
alunos pesquisadores, que contam com diversas fontes de pesquisa, ao alcance
de poucos cliques, para encontrarem informações a respeito dos mais diversos
assuntos. São alunos que dispõem, a um só tempo, de maior autonomia de
aprendizagem e de amplas possibilidades de realização de estudos colaborativos,
viabilizados por meio da interação no ciberespaço. São alunos que podem trazer
importantes informações para os debates em salas de aulas virtuais,
promovendo o intercâmbio de aprendizagens com seus pares e com seus
professores, gerando interessantes relações que viabilizam a construção coletiva
do conhecimento. Nessas relações de mão dupla as verdades são relativas. Há
uma instabilidade de significados, pois tudo pode ser comprovado, negado e
alterado em um átimo de tempo, bastando um clique para que tudo se altere.
Tendo em vista que os registros dos debates ficam disponíveis nos ambientes,
permitindo visitas futuras, torna-se possível acompanhar a evolução dos debates
e o processo de construção do conhecimento e da produção artística por parte
dos integrantes dos grupos, registrados em fóruns de debates, em repositórios
de tarefas, de bate-papos e em outros recursos existentes. Tais possibilidades
tornam os ambientes virtuais excelentes espaços para realização de avaliações
processuais, estudos e pesquisas.
E o que ocorre com o ensino da arte?
Liberta, pela fotografia, da função de representar o real, a arte se une às
novas tecnologias (representada pela própria fotografia, pelo cinema e pelo
vídeo) e às tecnologias computacionais para iniciar experimentações com fins
poéticos e pedagógicos. (Venturelli, 2005). Ela se vale, então, das redes sociais
surgidas na Internet como espaço de debates, de produção de objetos artísticos
e de divulgação, adquirindo independência em relação aos espaços formais de
ensino e de exposição. A um só tempo se livra, não somente da necessidade de
dispor espaços físicos para realização de estudos e para expor suas produções,
como também se liberta das amarras da crítica institucionalizada, que deveria
até então, atestar sua relevância para serem aceitas em galerias e museus. Nos
ambientes disponíveis na Internet ela não mais necessita desse aval. Essa
liberdade aproxima-a do cotidiano, possibilitando novas formas de recepção e de
interação com o público. Surge um novo espaço para produção, exposição e
divulgação de imagens, sons, animações e de outras produções. A Internet
invade a arte e é por ela invadida e os conceitos de identidade, diversidade
cultural e interculturalidade tornam-se palavras-chave.
Surgem novas possibilidades de tratar a imagem não apenas por seu valor
estético, mas buscando compreender seu papel social, abrindo campo para o
debate a respeito da relação entre arte e cultura. Segundo Martins (2007), entra
em cena um novo campo transdisciplinar ou pós-disciplinar, representado pela
cultura visual. Ao estudar o caráter cambiante dos objetos artísticos, que
transitam por diversos campos de estudos (história da arte, estética, cultura,
literatura, antropologia, etc.), a cultura visual desafia não somente os limites,
como também as práticas do sistema das “belas artes”, gerando um novo campo
para debates a respeito das idéias de “autonomia”, “autenticidade”,
“originalidade”. Novas polêmicas se instauram, que deverão ser consideradas
pelos educadores em arte, para a proposição de suas abordagens metodológicas.
Como ensinar arte nesse novo espaço emergente?
Voltemos às nossas questões iniciais. O que difere o ensino da arte no
ciberespaço do ensino presencial? Como os arte-educadores poderão tirar
proveito dessas novas possibilidades?
Assim como no ensino da arte presencial, uma proposta de ensino no
ciberespaço deve considerar, além do conhecimento (programa) a ser aprendido,
as características do espaço (“lugar”) em que se dará a aprendizagem e os
recursos disponíveis nesse espaço. As redes sociais são espaços interessantes
para a produção e divulgação de objetos artísticos, mas não há como
desconsiderar, no caso de propostas de ensino, a importância do papel do
professor na mediação da aprendizagem. Esse mediador, o tutor, deverá
conhecer profundamente a epistemologia do ensino da arte, para que possa, com
base em suas próprias experiências e em conhecimentos adquiridos, propor uma
abordagem teórico-metodológica adequada aos objetivos a serem alcançados.
Por mais que seja possível e interessante a utilização de recursos computacionais
para a proposição de objetos de conhecimento auto-instrucionais, não se pode
prescindir do trabalho de um bom mediador, para que sejam obtidos os melhores
resultados de aprendizagem. As propostas metodológicas desse mediador devem
considerar a importância da interação e colaboração na aprendizagem on-line.
Nessas interações as produções escritas e imagéticas adquirem enorme
relevância, pois é por meio delas que os aprendizes marcam presença em “sala
de aula”.
O “lugar” em que ocorre a aprendizagem na educação a distância
Os lugares em que comumente ocorrem aprendizagens no ciberespaço são
as redes sociais disponíveis na Internet. Tais redes podem constituir-se em
espaços informais, surgidos a partir do interesse específico de grupos que
ocupam espaços em blogs, fóruns de debates, listas de discussão e em outros
espaços especialmente criados para abrigar tais comunicações. Podem surgir de
iniciativas espontâneas, ou podem ser criadas redes formais, em ambientes
virtuais de aprendizagem (AVA) previamente criados para acolher cursos e
formações oferecidas por meio da educação a distância (EAD).
Nos cursos oferecidos pelo IdA/UnB são utilizados ambientes criados na
plataforma MOODLE, disponibilizada em http://download.moodle.org/. Esse
programa é interessante por se tratar de um software livre que permite
adequações na programação dos recursos, conforme a necessidade dos cursos.
Além de dispor de diversas ferramentas úteis às formações on-line (fóruns,
chats, glossário, repositório de documentos e tarefas, etc.), é possível articulá-lo
com outras ferramentas, por meio de links que permitem a conexão com
galerias, para publicação de obras; museus virtuais, para visitação; entre outros
recursos. Novo universo se abre, então, proporcionando oportunidade de acesso
a um grande acervo de informações e interações diversas, que devem sempre
ser consideradas ao se projetar a arquitetura acadêmica dos cursos.
Perspectivas e desafios do ensino da arte no ciberespaço
As movimentações sociais da atualidade têm direcionado as políticas
públicas no sentido de consolidar a educação a distância como uma alternativa
para sanar sérios problemas no cenário educacional do país. O modelo de
educação a distância que está sendo proposto para o Brasil, pelo Ministério da
Educação - MEC, é semi-presencial, com previsão de criação de pólos de apoio,
nos quais serão realizadas atividades presenciais para atender às necessidades
dos cursos. Para implementar sua política de educação a distância o MEC propôs
inicialmente, em parceria com instituições de ensino superior (IES), a formação
de professores em exercício da docência em redes públicas de ensino, sem a
devida graduação, por meio da instituição do Programa Pró-licenciatura.
Imediatamente após o lançamento do edital desse programa, foi proposta
a criação da Universidade Aberta do Brasil, que tem se consolidado, por meio da
adesão de diversas unidades da federação (Estados e Municípios) e de IES
espalhadas por todo o país.
Apesar da resistência inicial de parte dos colegiados em unidades
acadêmicas das IES, tais iniciativas tendem a transformar a educação superior
do país em um modelo semi-presencial. À medida que os cursos presenciais
forem agregando recursos computacionais e da Internet, o preconceito contra a
EAD poderá ser superado. Os cursos aprovados nos editais da UAB e Prólicenciatura
tornam-se interessantes espaços para pesquisas, estudos e
experimentações, que já começam a ser divulgados em eventos. Em reuniões
organizadas pelas IES participantes, ou pelo próprio MEC, o intercâmbio de
experiências faz germinar parcerias que poderão trazer benefícios não somente
para a educação em arte, como também para a formação em todas as áreas de
conhecimento. No caso do ensino da arte, uma dessas parcerias, firmada entre
cinco universidades (Unimontes, UFMA, UFG, UNIR e UnB), resultou na criação
de um grupo de trabalho que tem se reunido para dar continuidade aos debates
iniciados na etapa de elaboração do projeto dos cursos, visando atender aos
editais lançados pelo MEC. O GTArtes, como o grupo foi batizado, representa
atualmente um rico espaço de estudos e debates, voltado para o planejamento
da oferta dos cursos e da produção do material didático a ser utilizado nos
mesmos. Reunidos em 30 volumes, os livros que estão sendo produzidos para a
Licenciatura em Artes Visuais do Pró-licenciatura em Artes Visuais, integram a
Série GTArtes.3
Os atuais desafios do GTArtes dizem respeito à gestão dos projetos nas
IES; à articulação com o MEC, para viabilizar o financiamento dos cursos; à
produção de material didático; ao ensino das práticas artísticas na EAD (trabalho
de atelier) e, à avaliação na arte-educação a distância. As experiências
vivenciadas no âmbito dos cursos têm sido preciosas para fundamentar tais
debates e poderão resultar no enunciado de linhas gerais para a sistematização
de uma abordagem teórico-metodológica direcionada ao ensino da arte no
ciberespaço. É importante ressaltar, entretanto, que não se pretende propor uma
receita a ser utilizada pelos professores, uma vez que uma das certezas
provisórias que temos em mente é a de que cada professor deve fundamentar
sua proposta teórico-metodológica em estudos pessoais, baseados na
epistemologia da arte-educação. Essas linhas gerais que pretendemos enunciar
poderão ser analisadas pelos professores em seus estudos acerca da
epistemologia da arte-educação, caso optem pela EAD em suas práticas
pedagógicas. Para empreender tais estudos, os professores devem considerar
que os projetos relacionados com a cibereduação em arte estão em fase inicial.
Existem poucas experiências disponíveis para análise. Será, portanto, necessária
a realização de pesquisas de campo para que se possa verificar se tais
experiências em andamento poderão ser consideradas como consolidadas. As
pesquisas e avaliações procedidas poderão trazer subsídios para responder às
questões que têm sido formuladas. As certezas são, portanto, provisórias.
Quais são as experiências em andamento? Alguns exemplos
Existem projetos de educação em arte a distância no ensino formal e
informal e em diferentes níveis de ensino. No ensino formal podemos encontrar
formações na educação básica e no ensino superior, entre graduações e pósgraduações
lato sensu. Até o presente momento ainda não existem, no Brasil,
pós-graduações strictu sensu aprovadas pelo MEC. Seguem alguns exemplos de
experiências em andamento que poderão ser objeto de pesquisa de campo
relacionadas com o ensino das Artes Visuais a distância.
• Educação Básica: no ensino formal - módulos de Artes Visuais, na Educação
de Jovens e Adultos (EJA) da Secretaria de Estado de Educação do Distrito
Federal (SEDF), oferecida no ambiente virtual de aprendizagem da
SEED/MEC, o e-proinfo -
• No Ensino Superior, além das graduações oferecidas pela UnB, UFG, UFMA,
UNIR e Unimontes, podemos citar as licenciaturas da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
􀂃 Existem, também, pós-graduações lato sensu oferecidas pelo SENAC, a
especialização em Artes Visuais: cultura e criação, em senac.br/c_arte/c_arte.html>; pela UFMG, especialização em Ensino de
Artes Visuais – CEEAV, disponível em e na
UnB, oferecida no AVA do Grupo Arteduca, a especialização Arteduca: Arte,
Educação e Tecnologias Contemporâneas, em
􀂃 No ensino não formal, temos notícia da oferta de um curso pela Escola de
Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, no endereço eletrônico

O debate entre as IES e o MEC: desafios e perspectivas
A SEED/MEC, por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do
Nível Superior, CAPES, tem procurado promover um debate a respeito da oferta
dos cursos a distância no Brasil. Para tanto foi criado um espaço de debates em
um ambiente na plataforma MOODLE, o Ambiente de Trabalho dos Colaboradores
do Sistema UAB (ATAB)4, que conta com a participação da equipe da CAPES/MEC
e dos coordenadores dos cursos da UAB e do Pró-licenciatura. Além desse
espaço, os debates têm sido realizados encontros presenciais periódicos, que
contam com a participação dos coordenadores dos cursos. Nesses encontros,
visando aprofundar o debate a respeito de tópicos relevantes relacionados com a
oferta dos cursos na área de Artes, a equipe da CAPES sugeriu que fossem
criadas três comissões de trabalhos: a Comissão de Gestão; a Comissão Editorial
e a Comissão de Avaliação e Acompanhamento.
A Comissão Editorial, responsável pela discussão e encaminhamentos
referentes à produção dos conteúdos, está encarregada de promover o debate a
respeito da cessão de direitos para uso compartilhado dos conteúdos em todo o
sistema UAB, preservando-se, é claro, os direitos autorais. Pretende-se discutir o
compartilhamento de materiais impressos e digitais, conteúdos, vídeo-aulas,
guias e manuais, conteúdos complementares disponibilizados em plataforma online,
ou mesmo de cursos completos. Neste campo o debate torna-se mais
interessante devido à qualidade do material que tem sido produzido pelas IES,
não somente em relação ao conteúdo dos mesmos, como também pela qualidade
dos projetos gráficos dos volumes.
Além dos preciosos acervos em artes visuais, música e teatro, os
programas Pró-licenciatura e UAB prometem deixar importante legado relativo ao
aos temas das outras comissões - gestão e de avaliação e acompanhamento. As
primeiras conversas realizadas demonstram a convergência de propostas, no que
se refere ao acompanhamento do desenvolvimento dos cursos, por parte das
coordenações, de forma a preencher lacunas ou a enriquecer os projetos com a
oferta extra curricular de cursos de extensão, módulos, disciplinas ou seminários.
Apesar das diferentes denominações, percebe-se o objetivo comum, na oferta de
tais propostas, relacionado com a possibilidade de se realizar uma "costura" de
idéias dando uma unidade interessante aos cursos.
Por meio desses debates realizados, poderá ser possível, também, buscar
soluções para alguns problemas comuns detectados em diferentes IES. Alguns
problemas estruturais graves, presentes na formação dos professores (ou na
falta dela), constituem-se como sérios entraves ao processo de ensino e
aprendizagem, apresentando-se como um dos principais desafios do programa
Pró-licenciatura, que é direcionado à formação de professores que já atuam nas
escolas brasileiras sem a devida graduação na área. Esse desafio pode ser
traduzido na seguinte questão: como promover a aprendizagem relativa às artes
visuais, quando existem sérios problemas relacionados com conhecimentos
elementares de leitura e escrita? Os professores-tutores que atuam nos cursos
do Pró-licenciatura se deparam com o seguinte dilema: como aprovar
professores-estudantes que demonstram ter adquirido conhecimentos referentes
aos conteúdos das disciplinas, que conseguem se utilizar de recursos
computacionais e navegar pelo ciberespaço com relativa desenvoltura, mas que
enfrentam dificuldades básicas para se expressarem na língua portuguesa? A
criação de projetos especiais que abriguem propostas de ensino voltadas para
esse público pode ser viabilizada por meio da utilização de redes sociais na
Internet. È necessário buscar uma solução para o problema. A criação de blogs
que abriguem interações mais descontraídas, relacionadas com debates que
demandem leitura, interpretação e produção de textos, talvez possa ser utilizada
para promover maior desenvoltura em relação à leitura e à escrita.
Lidamos, ainda, com outro desafio: conseguir professores para atuarem
como tutores na educação em arte oferecida a distância. Há uma enorme
carência de profissionais graduados na área pelo interior de nosso país. Esse
problema deverá ser minimizado quando as primeiras turmas do Pró-licenciatura
e UAB se graduarem.
Outro desafio a ser vencido refere-se à produção artística no ciberespaço.
Como viabilizar o trabalho em atelier na educação a distância? Esse desafio
deverá ser enfrentado por meio de um planejamento detalhado de aulas
presenciais que possam instrumentalizar os estudantes para manter atividades
artísticas de atelier durante os períodos de interações a distância. Intercalandose
períodos de trabalho intensivo nos pólos com debates bem fundamentados
nos AVA, é possível manter a qualidade da produção. Outra iniciativa importante
refere-se à capacitação dos estudantes para o uso de softwares livres, voltados
para o trabalho artístico. Eles poderão auxiliar no processo de criação e,
também, de edição de imagens para publicação em galerias virtuais, como a que
está disponibilizada para os alunos do Grupo Arteduca5.
Sabemos que outros desafios virão. E é bom que venham, pois, como
afirmou Piaget, é preciso que ocorra a desequilibração para que o conhecimento
avance. A cada novo desafio, iremos buscando alternativas para viabilizar
aprendizagens por meio da cibereducação em arte.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, M.E.B. ProInfo: Informática e formação de professores. Secretaria de
Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000.
BARBOSA, A. M. T. B. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.
CAMPELLO, S. M. C. R. Educação em Arte: uma proposta de formação
continuada dos professores de artes visuais por meio da utilização das
tecnologias de informação e comunicação, dissertação de mestrado,
defendida no mestrado em arte da IdA/Unb, em 2001.
______. Redes Sociais na Internet: possibilidades de aplicação na arteeducação
a distância. In VENTURELLI, S. (org.) Arte e Tecnologia: para
compreender o momento atual e pensar o contexto futuro da arte. Brasília: Pósgraduação
em Arte do Instituto de Artes da Universidade de Brasília, 2008.
MARTINS, R. A Cultura Visual e a construção social da Arte, da Imagem e
das práticas do ver. In: OLIVEIRA, M. (Org.). Arte, Educação e Cultura.
Santa Maria: Editora UFSM, 2007.
MATURANA, H. Cognição, ciência e vida cotidiana. Organização e tradução
MAGRO, C., PAREDES, V. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.
TURKLE, S., A vida no ecrã: a identidade na era da Internet, Lisboa: Relógio
D´Água, 1995
VENTURELLI, S. Arte: espaço_tempo_imagem. Brasília: Editora UnB, 2004
1 O projeto desse curso resultou de pesquisas realizadas no mestrado em Arte do IdA/UnB, sob
orientação de Suzete Venturelli, na linha de pesquisa Arte e Tecnologia. Destinado à formação
continuada de professores por meio de uma proposta de aprendizagem construcionista1, o curso
tem como principal objetivo propor uma “trilha" epistemológica relacionada com a arte-educação e
com a utilização das tecnologias contemporâneas na educação escolar. O curso proposto passou a
integrar os projetos do Programa de Pós-graduação em Arte do IdA/UnB e tem sido oferecido
desde então na plataforma MOODLE.
2 Participaram da elaboração dos projetos das licenciaturas os professores Raquel Helena de
Mendonça e Paula (Unimontes); Leda Maria de Barros Guimarães (UFG); Itamar Alves Leal dos
Santos (UFMA); Suzete Venturelli (UnB); Lygia Maria Maurity Sabóia (UnB); José Mauro Barbosa
Ribeiro(UnB); Terezinha Maria Losada Moreira (UnB) e Sheila Maria Conde Rocha Campello (UnB).
Posteriormente foram agregados professores da Universidade Federal de Rondônia, que solicitou
participação na oferta do curso em Porto Velho, com oferta e certificação garantida pela UnB.
3 Integram atualmente o GTArtes os seguintes professores: Eny Arruda (Unimontes); Leda Maria
de Barros Guimarães e Lílian Uker (UFG); Izabel Mota Costa e Arão Paranaguá (UFMA); Nely Matter
(UNIR); Suzete Venturelli, Jorge das Graças Veloso (UnB) e Sheila Maria Conde Rocha Campello
(UnB/SEDF). O Grupo dispõe de um espaço de debates criado no AVA do Grupo Arteduca, em
http://arteduca.unb.br/ava/
4 http://uab.capes.gov.br/atuab/
5 http://www.arteduca.unb.br/galeria


Fonte:
http://www.fav.ufg.br/8art/Nova%20pasta/texto_SheilaCampello.pdf

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